Inteligência Artificial: O Monstro de Frankenstein e o Futuro da Humanidade

A Farsa de Frankenstein e a Ascensão da IA

Em um mundo cada vez mais imerso em transformações tecnológicas, a ficção de Mary Shelley em Frankenstein ressurge como uma poderosa metáfora para os dilemas atuais. O lançamento do filme de Guillermo del Toro em 2025, em um contexto de ascensão das inteligências artificiais generativas, não é mera coincidência. Assim como a Criatura de Victor Frankenstein, as IAs são criações humanas que, por suas capacidades e comportamentos imprevisíveis, desafiam nossa compreensão e controle.

O pensador Eduardo Saron aponta que vivemos um momento onde o “direito à realidade” se torna central. A linha tênue entre o real e o artificial, marcada por algoritmos, manipulações e identidades sintéticas, torna a história de Frankenstein um espelho de nossas angústias. O horror, na obra, surge quando o criador perde o domínio sobre sua criação, um medo que ecoa nas discussões sobre até que ponto compreendemos as IAs que desenvolvemos.

A Governança Tecnológica em Xeque

A discussão sobre IA transcende o campo técnico, adentrando o terreno da governança tecnológica. Assim como a Criatura de Frankenstein foi fruto de elites científicas, as IAs atuais são financiadas por conglomerados privados com imenso poder de moldar comportamentos e percepções. As perguntas cruciais são: quem cria, quem controla, quem lucra e quem fica à margem desse avanço?

As Inteligências Artificiais Generativas mais avançadas, baseadas em Large Language Models (LLMs), são treinadas com vastos volumes de dados humanos. Elas aprendem padrões, inferem significados e simulam a linguagem humana de forma surpreendente. No entanto, sua complexidade e dependência das intenções de seus criadores as tornam imprevisíveis, tal qual a Criatura de Shelley.

Neocolonialismo Tecnológico e o Risco da Invisibilidade

Um dos pontos mais críticos é o neocolonialismo tecnológico. A predominância do inglês e do mandarim no treinamento das LLMs significa que o pensamento dessas máquinas é moldado por referências culturais específicas. Isso pode levar à invisibilidade de outras formas de conhecimento e vivência, como as da América Latina e da África, reforçando dependências históricas e desigualdades simbólicas.

A tecnologia, que deveria ampliar nossas capacidades, corre o risco de reorganizar nossa própria percepção da realidade. A delegação crescente de decisões a sistemas cujos funcionamentos não são plenamente compreendidos por seus criadores ameaça nossa autonomia. A advertência de Frankenstein é clara: a monstruosidade não reside na origem artificial, mas na ambição humana desacompanhada de responsabilidade ética.

Um Chamado à Reflexão Crítica

A história de Frankenstein serve como um alerta atemporal. A ausência de limites e de governança, tanto na ficção quanto na realidade, pode gerar consequências irreversíveis. A sociedade precisa decidir se as IAs serão instrumentos de libertação humana ou mecanismos de dependência e controle.

A releitura dessa obra clássica não é apenas um exercício literário, mas uma fábula política, filosófica e tecnológica. A Criatura renasce em um momento em que múltiplos modelos de IA surgem, ambos desafiando limites éticos e expondo vulnerabilidades humanas. A ciência sem ética produz monstros, a tecnologia sem governança produz abismos, e um futuro sem o direito à realidade gera confusão e perda de sentido. É hora de aprender com Frankenstein antes que seja tarde demais.


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