A temperatura nas negociações para reestruturar o passivo da InterCement aumentou diante da ausência de um consenso entre a Mover, que controla a companhia, a CSN e os bancos credores em torno de um plano que minimamente seja palatável a todos. Como resultado, a equipe jurídica da InterCement prepara o pedido de recuperação judicial do grupo, que deve ser protocolado ainda nesta noite de terça-feira, 3. A empresa havia entrado com um pedido de recuperação extrajudicial em setembro, cujo prazo para conclusão do plano final e adesão de 50% mais um dos credores termina no dia 16 de dezembro.
Diante de idas e vindas nas conversas e que se arrastam há mais de um ano e um acordo de exclusividade com a CSN renovado diversas vezes ao longo desde 1° de maio, a recuperação judicial ficou premente, disseram pessoas que acompanham as negociações. Na sexta-feira, 29, a saída de Ronnie Vaz Moreira da presidência do conselho de administração da InterCement Participações, que tem a InterCement Brasil e a argentina Loma Negra entre suas empresas, já sinalizava esse desfecho.
Ronnie chegou à InterCement em maio do ano passado, por meio da Houlihan Lockey, contratada pelo grupo como assessor financeiro na reestruturação da companhia, e seu contrato previa que deixaria a companhia caso a solução fosse a recuperação judicial.
Para os detentores de títulos de dívida da companhia, a recuperação judicial pode ser uma solução melhor, já que esse grupo esteve até agora isolado das negociações. De acordo com uma pessoa a par do assunto, a empresa, em recuperação judicial, deve continuar gerando caixa e esse grupo entrará passará a ter voz nas negociações dentro desse novo perfil de reestruturação.

Fábrica da InterCement em Ijaci (MG)
As conversas azedaram diante da pressão exercida contra bancos e a CSN para que fossem assumidas contingências não só da InterCement, mas também da Mover, que controla da InterCement. De acordo com pessoas a par das negociações, as garantias oferecidas para a CSN pela Mover, que teria obrigação de honrar essas contingências, não eram suficientes para cobrir um ônus que potencialmente poderiam recair sobre a CSN.
Como consequência, as condições para renovação das dívidas dos bancos com a CSN foram apertando, ou seja, o valor oferecido pela aquisição da InterCement foi ficando insuficiente para a recuperação dos créditos pelas instituições financeiras que têm uma dívida de R$ 5,9 bilhões contra as empresas.
Pesaram ainda as ações movidas na Justiça norte-americana, holandesa e brasileira pelos detentores de mais de R$ 3 bilhões em títulos de dívida emitidos pela empresa no exterior. Essas disputas judiciais também estavam sendo empurradas para dentro das contingências que a CSN teria de assumir.
Pessoas que participam das negociações disseram que a InterCement havia levado o pedido de recuperação extrajudicial a tribunais estrangeiros e que, no caso da Holandesa, o último dia para apreciação expirou em 30 de novembro.
A empresa pediu extensão por três meses, mas o pedido foi imediatamente rejeitado, e o juiz holandês iria decidir sobre o caso no dia 5 de dezembro, próxima quinta-feira.
As dívidas no plano de recuperação extrajudicial somavam R$ 22 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões entre as companhias do grupo. Em um processo de recuperação judicial, a CSN deve perder a exclusividade para negociação do ativo e, provavelmente, outros interessados irão aparecer e a venda da companhia acontecer de modo fatiado, disseram pessoas que acompanham a busca de solução para o impasse.
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