Prefeito Paulo Curió é centro de esquema que desviou R$ 56 milhões da Saúde e Assistência Social em Turilândia.
O Tribunal de Justiça do Maranhão tomou uma decisão drástica nesta sexta-feira, 23, aprovando por unanimidade o pedido de intervenção estadual no município de Turilândia. A medida, proposta pelo Ministério Público, visa combater um **esquema de corrupção** que, segundo as investigações, causou um **rombo de R$ 56 milhões** nos cofres públicos, com foco principal nas áreas de Saúde e Assistência Social. O prefeito Paulo Curió (União Brasil), juntamente com a vice-prefeita, a primeira-dama, diversos auxiliares e os onze vereadores da cidade, foram presos em decorrência da Operação Tântalo II.
Decisão unânime e nomeação de interventor
A decisão do TJ-MA determina que o governador Carlos Brandão (PSB) nomeie um interventor em até 15 dias. Este interventor ficará à frente do município por um período inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação. O desembargador Gervásio Santos Júnior, relator do caso, justificou a intervenção pela **dificuldade em recompor a gestão**, visto que os próprios responsáveis pela administração e fiscalização estariam envolvidos nas irregularidades. “A intervenção é crucial para que a análise dos dados administrativos e contratos seja conduzida por autoridade alheia ao contexto fático, evitando que os responsáveis pela correção sejam os envolvidos no esquema”, explicou o desembargador.
Esquema bilionário e envolvimento familiar
A denúncia do Ministério Público aponta que o prefeito Paulo Curió liderava uma **organização criminosa** que desviava até **90% dos valores públicos** destinados a empresas envolvidas em fraudes. Os empresários, por sua vez, ficavam apenas com uma pequena porcentagem, entre 10% e 18%, como pagamento pela emissão de notas fiscais frias. O dinheiro desviado, segundo a investigação, era utilizado para cobrir **despesas pessoais do prefeito**, incluindo a compra de imóveis e o pagamento de mensalidades da faculdade de medicina da primeira-dama, Eva Dantas. A lista de denunciados inclui diversos familiares do prefeito, como seu pai, irmão, irmãs, cunhados e tio, além da vice-prefeita e ex-vice-prefeita.
Operação Tântalo II e apreensão de dinheiro vivo
A segunda fase da Operação Tântalo II, deflagrada em 22 de dezembro, resultou na prisão de Paulo Curió, secretários, empresários e os onze vereadores. Durante as buscas, os promotores apreenderam uma quantia expressiva de **dinheiro vivo, estimada em R$ 5 milhões**. Os vereadores presos, apesar de estarem em prisão domiciliar, continuavam a despachar da Câmara Municipal. O nome da operação, Tântalo, faz alusão à figura mitológica grega, representando a frustração de recursos públicos que não resultam em benefícios reais para a população, apesar de estarem disponíveis. A situação em Turilândia evidencia um **grave caso de corrupção municipal** que abalou as estruturas administrativas e de fiscalização da cidade.
Descubra mais sobre MNegreiros.com
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
