Investigadores da Polícia Civil de SP evitam prisão após pagamento de fiança em caso de tráfico de influência
Dois investigadores da Polícia Civil de São Paulo, Tânia Aparecida Nastri e Carlos Huerta, foram liberados da prisão preventiva após pagarem uma fiança de R$ 20 mil cada. A dupla é alvo de uma operação da Corregedoria da corporação, que apura suspeitas de **tráfico de influência**, violação de sigilo funcional, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A investigação teve início a partir da prisão de outros dois policiais, Valdenir de Almeida, conhecido como ‘Xixo’, e Valmir Pinheiro, o ‘Bolsonaro’, em setembro de 2024, por envolvimento em um esquema de propina de R$ 800 mil ligado ao tráfico.
Conversas revelam articulações para influenciar investigações
A análise do celular de ‘Xixo’, apreendido durante a Operação Face Off em setembro de 2024, revelou conversas comprometedoras com o investigador Carlos Huerta. De acordo com a Corregedoria e promotores do Gaeco, ‘Xixo’ teria afirmado que iria “mexer seus pauzinhos” e que contava com o apoio de “uma mulher lá”, possivelmente na Delegacia-Geral de Polícia ou na Corregedoria Geral, para interceder em favor de problemas particulares, de seu parceiro ‘Bolsonaro’ e do próprio Huerta.
Em uma das mensagens trocadas em maio de 2022, ‘Xixo’ escreveu: “Vou dar uma mexidinha nos pauzinhos para nós aí, tá? Qualquer coisa te dou um alô também, está bom, amigo? Tenho que correr atrás dessa porra aí”. Huerta, por sua vez, demonstrou preocupação com a apuração de evolução patrimonial, mencionando a busca por imóveis de todos os envolvidos. “Não, está bom, velho, tenta sim porque…É, aquilo lá, né? Estão pedindo os imóveis de todo mundo, essas coisas aí… foda, viu? Vamos que vamos, velho, vai dar tudo certo, se Deus quiser”, respondeu Huerta.
Ministério Público aponta tráfico de influência em interesse particular
O Ministério Público interpretou as conversas como um indicativo claro de que Huerta buscava, através de ‘Xixo’, exercer **tráfico de influência** para resolver questões particulares junto à Delegacia Geral de Polícia. A preocupação de Huerta com a apuração de evolução patrimonial, incluindo a pesquisa de imóveis, reforça a tese de que os investigadores estariam tentando manipular o andamento das investigações em benefício próprio e de outros envolvidos. A fiança paga por Nastri e Huerta os livra da prisão preventiva, mas a investigação sobre os crimes de **tráfico de influência**, violação de sigilo, corrupção passiva e lavagem de dinheiro continua.
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