Julgamento de Bolsonaro repercute entre políticos: ‘Perseguição’

[Editado por: Marcelo Negreiros]

Nesta terça-feira, 2, parlamentares e apoiadores de Jair Bolsonaro usaram as redes sociais para criticar o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF). Para eles, o processo é marcado por parcialidade, abuso de poder e perseguição política.

O deputado federal e ex-secretário da Cultura Mario Frias (PL-SP) afirmou que “o que está em julgamento não é apenas Bolsonaro, mas a liberdade, a fé e o direito de cada brasileiro escolher em quem acreditar”.

Já o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) classificou o julgamento como “um dos momentos mais vergonhosos da história do país”.

Na mesma linha, o deputado estadual Gil Diniz (PL) disse que a nova fase do processo faz parte da “farsa do golpe” e desejou força ao ex-presidente e sua família. “Ao longo dos anos vimos inúmeras tentativas de destruir Bolsonaro, mas ele sempre se manteve firme”, escreveu.

O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) chamou a ação de “espetáculo político-midiático de vingança” contra aquele que definiu como “o maior líder político da história do país”. Ele convocou apoiadores a irem às ruas no dia 7 de setembro para demonstrar união.

Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal e filho do ex-presidente, disse que a sessão representa uma “inquisição” conduzida por um “violador de direitos humanos”, acusando a acusação de forçar a narrativa contra seu pai.

O deputado Evair de Melo (PP-ES) também criticou o processo. Em nota, afirmou que “o que está em curso não é um julgamento legítimo, mas uma inquisição moderna, marcada por perseguição política, censura e abuso de poder”. Segundo ele, o STF “extrapola os limites institucionais”, conduzindo um “julgamento de exceção, com motivações ideológicas claras, que busca calar opositores e intimidar a sociedade”.

Senadores também se pronunciaram

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também se manifestou contra o julgamento. Para ele, o processo é “viciado, manipulado e conduzido por julgadores políticos anti-Bolsonaro”. Segundo afirmou, trata-se de um “justiçamento que fere de morte a democracia, que eles dizem defender”.

O senador Magno Malta (PL-ES) também manifestou apoio a Jair Bolsonaro. Ele afirmou que “o tempo de Deus com o Bolsonaro ainda não acabou” e declarou que sua confiança está em Deus, “quem o levantou”. Em seguida, citou o trecho bíblico de 2 Coríntios 4:8-9: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.”

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também demonstrou apoio ao ex-presidente. Na véspera do julgamento, ela esteve com Bolsonaro em um momento de oração e publicou mensagem nas redes sociais: “Força, Bolsonaro. Estamos com você”.

Julgamento de Bolsonaro no STF: saiba quanto tempo vai durar e os horários das sessões

Ex-presidente Jair Bolsonaro, durante julgamento no STF por suposta ‘tentativa de golpe’, em Brasília | Foto: Reuters/Diego Herculano

O STF reservou cinco dias para analisar o processo envolvendo Jair Bolsonaro e outros sete acusados por suposta participação em tentativa de golpe de Estado. As primeiras sessões ocorrem nos dias 2 e 3, com início às 9h e 14h em algumas datas, e serão transmitidas pelo canal da TV Justiça no YouTube.

O cronograma prevê oito sessões distribuídas nos dias 2, 3, 9, 10 e 12, com horários alternando entre manhã e tarde. O relator, ministro Alexandre de Moraes, realizará a leitura do relatório, abordando elementos da acusação e argumentos das defesas durante a semana inicial do julgamento.

Durante as sessões, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os advogados dos réus apresentarão suas manifestações. Os representantes de Mauro Cid falam primeiro por causa do acordo de delação premiada. No total, as falas da PGR e das defesas devem somar quase dez horas.

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A PGR, em julho, solicitou a condenação dos acusados por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve apresentar os principais pontos da acusação. Segundo a PGR, Bolsonaro foi o principal articulador e maior beneficiário dos supostos atos contra o Estado Democrático de Direito, agindo sistematicamente durante e depois do mandato para incentivar a insurreição.

Depois da acusação, cada defesa terá uma hora para expor seus argumentos. Os advogados costumam negar envolvimento nos crimes e pedem absolvição. A defesa de Mauro Cid solicitou sua inocência e, em caso de condenação, que a pena não ultrapasse dois anos. Os representantes de Bolsonaro alegam falta de provas que o coloquem no centro da acusação.

[Oeste]

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