A máscara de aliado dos donos de armas cai em Washington
Donald Trump, que se autoproclamou “o melhor amigo que os donos de armas poderiam ter na Casa Branca”, enfrenta uma crise de credibilidade com seus próprios apoiadores. Uma série de declarações recentes do presidente, especialmente sobre o direito de portar armas em manifestações, tem gerado forte irritação entre os grupos conservadores que historicamente o apoiam. Essa contradição expõe uma fragilidade no discurso trumpista, que se apoia em pilares ideológicos que agora parecem abalados.
O caso Minnesota e a reviravolta nas palavras do presidente
O estopim para a insatisfação do lobby pró-armas foi a reação de Trump à morte de Alex Pretti, um enfermeiro de 38 anos, que foi alvejado por agentes da patrulha de fronteira durante um protesto em Minneapolis, no Minnesota. Pretti portava uma pistola 9 mm, embora não a tenha sacado. Em resposta ao incidente, Trump declarou: “Você não pode ter armas. Você não pode andar com armas“. Essa fala direta e sem rodeios contraria frontalmente os princípios defendidos pelos defensores do porte de armas.
Para reforçar a posição, Kash Patel, diretor do FBI, acrescentou: “Você não pode trazer uma arma com vários carregadores de munição para qualquer tipo de protesto. Simples assim“. Essas afirmações chocaram os entusiastas do armamento, que veem nessas declarações uma traição aos ideais que sempre defenderam e que Trump parecia endossar.
Reação imediata de entidades conservadoras
A resposta das principais organizações pró-armas não tardou. A Associação Nacional do Rifle (NRA), um dos mais influentes grupos de lobby do país, publicou em suas redes sociais um comunicado enfático: “A NRA acredita inequivocamente que todos os cidadãos cumpridores da lei têm o direito de possuir e portar armas em qualquer lugar em que tenham o direito legal de estar“.
Outra entidade relevante, a Donos de Armas da América (GOA), também se manifestou, declarando: “Protestos pacíficos enquanto se está armado não são radicais — são americanos. A Primeira e a Segunda Emendas protegem esses direitos, e sempre protegeram“. As declarações de Trump e Patel parecem ignorar ou deslegitimar a importância da Segunda Emenda, que garante o direito de manter e portar armas, um pilar fundamental para muitos eleitores conservadores.
A dissonância cognitiva e a exposição da fragilidade trumpista
A postura de Trump, que em outros momentos apoiou políticas favoráveis ao porte de armas, agora se mostra contraditória diante da realidade e das reações populares. Essa dissonância cognitiva se estende aos eleitores que acreditavam em sua defesa intransigente da liberdade de portar armas como um escudo contra a “tirania do Estado”.
A situação evoca o discurso de figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que afirmou em 2022: “Eu sempre digo a vocês: povo armado jamais será escravizado. Reagirá a qualquer ditador de plantão que queira roubar a liberdade do seu povo“. A questão que surge agora é: e se o “aspirante a ditador” for percebido como o próprio governo, ou suas agências como o ICE, que tem sido criticado por ações controversas?
A irritação do lobby pró-armas desnuda a fragilidade do discurso de Trump, expondo suas contradições e deixando seus apoiadores mais fiéis em uma posição desconfortável. O presidente, que se apresentava como o guardião dos valores conservadores, agora se vê em uma situação onde sua própria base o questiona, revelando que a “roupagem de valores” pode ser apenas uma ilusão.
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