STF mantém ‘lobista dos tribunais’ em prisão de segurança máxima
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a prisão em regime fechado de Andreson de Oliveira Gonçalves, conhecido como o ‘lobista dos tribunais’. Apontado como o ‘mestre dos magos’ nas investigações da Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de venda de sentenças em tribunais estaduais e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Andreson está detido na Penitenciária Federal de Brasília. Essa mesma unidade prisional de segurança máxima é onde se encontra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC.
Defesa reage e alega risco de morte
A defesa de Andreson Gonçalves, representada pelo criminalista Eugênio Pacelli de Oliveira, manifestou indignação com a decisão. “Meu cliente está muito enfermo. Ele vai morrer na cadeia”, protestou o advogado, questionando a manutenção da prisão em um ambiente de alto risco. Ele argumenta que seu cliente sofre ameaças constantes e teme pela segurança de sua família.
Em fevereiro, Andreson anexou aos autos uma carta detalhando que estava em uma ala destinada a líderes de organizações criminosas violentas e que sofria ameaças. “Sofro todo tipo de ameaça, mas tenho que ficar quieto porque eles fala (sic) que pode fazer mal aos meus filhos lá fora se eu falar”, escreveu.
Operação Sisamnes e o esquema de lavagem de dinheiro
A Operação Sisamnes aponta que Andreson Gonçalves teria estruturado uma complexa rede de lavagem de dinheiro, movimentando valores expressivos para branquear recursos provenientes de um suposto esquema que alcançou o STJ. Segundo a Polícia Federal (PF), o esquema envolvia assessores de ministros e desembargadores, com movimentações diárias que superaram R$ 10 milhões.
A PF descreve uma “engenhosa cadeia de lavagem de dinheiro municiada de pelo menos 14 operadores diretos, baixa rastreabilidade”. Andreson teria utilizado uma empresa de fachada de transporte de cargas para criar um “quadro de invisibilidade” e lavar cifras milionárias por anos.
Ministros da 1ª Turma negam pedido de prisão domiciliar
Em julgamento nesta quarta-feira, os ministros da 1ª Turma do STF, por maioria, negaram o pedido de prisão domiciliar humanitária para Andreson. O relator, ministro Cristiano Zanin, foi acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. A decisão baseou-se em relatórios que indicam que o custodiado tem recebido assistência médica e nutricional adequadas na penitenciária federal.
O ministro Zanin destacou que “ausente demonstração de alteração do quadro fático que ensejou a transferência do custodiado para o estabelecimento prisional em que se encontra, não vislumbro razões para reforma da decisão agravada”. A defesa, por sua vez, alega que a transferência para prisão domiciliar ocorreu devido a um quadro de saúde debilitado, com diagnóstico de neuropatia grave, mas a PF contestou a alegação de emagrecimento involuntário.
Descubra mais sobre MNegreiros.com
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
