Lula tenta blindar governo e instituições da crise do Banco Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está adotando uma estratégia para dissociar seu governo do escândalo envolvendo o Banco Master. A preocupação com a imagem do Planalto, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Banco Central (BC) tem sido um fator determinante nas recentes movimentações do presidente.
Encontro no Planalto e alertas sobre perseguição
Quase um ano antes da intervenção do Banco Central, em dezembro de 2024, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, esteve no Palácio do Planalto. Na ocasião, Vorcaro, acompanhado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e pelo ex-CEO do Master, Augusto Lima, participou de uma reunião com o chefe do gabinete pessoal de Lula, Marco Aurélio Marcola. Posteriormente, Vorcaro solicitou uma conversa privada com o presidente Lula, que o recebeu juntamente com Mantega e Lima. Lula, por sua vez, convocou para o encontro em seu gabinete os ministros Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Durante a reunião, Vorcaro teria expressado queixas sobre uma suposta perseguição motivada pela “concentração dos grandes bancos”. Lula respondeu, segundo relatos, que a responsabilidade de investigar tais alegações cabia ao Banco Central, e que o caso deveria ser tratado de forma “isenta e técnica” pela autarquia, o que foi concordado por Galípolo. Onze meses depois, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, expondo o escândalo da fraude contra o sistema bancário.
Diálogo com Toffoli e defesa de instituições
Preocupado com os reflexos da crise em um ano eleitoral, Lula convidou recentemente o ministro do STF, Dias Toffoli, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para um almoço na Granja do Torto. Ao ministro Toffoli, relator do caso do Master no STF, o presidente manifestou sua apreensão com a potencial desconfiança da sociedade em relação à conduta da Suprema Corte, do Banco Central e da Polícia Federal. Lula ressaltou que o país não precisa de tal cenário de desconfiança no momento.
A relação entre Vorcaro e o ministro Toffoli veio à tona com a revelação de que o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é proprietário de fundos de investimento que adquiriram parte das participações dos irmãos de Toffoli em um resort no Paraná. Fontes próximas a Lula indicam que a conversa na Granja do Torto focou intensamente na imagem do governo e do STF diante do escândalo do Banco Master, com o presidente demonstrando contrariedade com o que chamou de “conduta errática” de Toffoli.
Preocupação com ataques e defesa de Galípolo
Lula expressou sua apreensão com os ataques direcionados ao STF, em especial a Toffoli e ao ministro Alexandre de Moraes, após o julgamento de Jair Bolsonaro. O presidente também teria enfatizado a necessidade de defender Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, que estaria sendo alvo de uma “milícia digital” acionada por aliados de Vorcaro. Auxiliares presidenciais relataram que, dias após o encontro no Torto, Toffoli entrou em conflito com a direção da Polícia Federal, o que teria desagradado ainda mais o presidente.
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