Lula explora sentimento antissistema em meio a silêncio de Flávio Bolsonaro sobre o Banco Master
Presidente aposta em discurso de combate à corrupção, enquanto oposição se omite sobre o caso Master.
O caso Master e a estratégia de Lula
O escândalo envolvendo o Banco Master promete pautar os debates eleitorais em 2026, e o presidente Lula já demonstra ter compreendido o potencial de mobilização desse caso. Ciente de que a percepção da crise tende a impactar o governo de plantão e de que o sentimento anticorrupção, especialmente o **antissistema**, já decidiu eleições no Brasil, Lula tem buscado incorporar esse discurso em sua campanha. Ele se apresenta como favorito à reeleição, mas também como o que tem mais a perder com um cenário de imprevisibilidade.
Com uma postura que o artigo descreve como de “envernizada cara de pau”, e beneficiado pelo que chama de “apagamento da história da corrupção recente” e pelo “rabo-preso dos Bolsonaro”, Lula tem adicionado a figura do “magnata da corrupção” em seu discurso. Ele busca se posicionar como um antídoto, mesmo diante de seu histórico e do de seu partido. O presidente afirma: “Nós vamos a fundo nesse negócio“, indicando que a Polícia Federal, sob sua ordem, investigará o caso.
A PF e a delimitação das investigações
A diretriz do Planalto, segundo a análise, sugere que as investigações da Polícia Federal serão realizadas em um “terreno delimitado”. Lula tem questionado: “Nós queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro e o Estado do Amapá colocaram dinheiro de fundo dos trabalhadores nesse banco? Qual é a falcatrua que existe entre o Master e o BRB?” No dia seguinte, a PF avançou sobre regimes previdenciários de figuras como Davi Alcolumbre, e investigações sobre o Rioprevidência e o BRB, ligados a Cláudio Castro e Ibaneis Rocha, respectivamente, já estavam em curso.
O presidente tem enfatizado a “nossa briga com o tal do Banco Master“, ressaltando que a PF está incorporada ao ministério. Ele diferencia o tipo de prisão desejada, afirmando: “Não é prender o cara que está na favela ou prender ele, não. É prender aquele que está de terno e gravata roubando e mora em apartamento de cobertura ou em Miami“. Essa formulação é vista como uma estratégia antissistema, vinda justamente da “própria expressão do sistema”.
O silêncio de Flávio Bolsonaro e a oportunidade perdida
Lula declarou: “É a primeira vez, na história do Brasil, que nós estamos perseguindo os magnatas da corrupção deste País“, uma afirmação sem refutação imediata, que parece apagar escândalos anteriores. O empreendimento discursivo é descrito como “explícito e ousado”. Nesse cenário, o silêncio de Flávio Bolsonaro é destacado como um fator que ajuda a estratégia petista. O silêncio é considerado “eleitoralmente inexplicável”, pois a oposição teria a chance de “pegar essa bandeira” e ganhar competitividade.
A omissão de Flávio Bolsonaro é explicada pela “rachadinha”, sugerindo que o Banco Master e os “apagamentos” promovidos por Dias Toffoli estariam “em todo lugar”, implicando uma possível conexão ou benefício mútuo. A falta de uma posição clara da oposição sobre o caso Master abre espaço para que Lula consolide sua narrativa anticorrupção.
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