A corrida presidencial de 2024 promete ser acirrada, com pré-candidatos buscando construir narrativas fortes, mas nem sempre ancoradas na realidade. Especialistas apontam o uso de “ilusionismos” por parte das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, visando conquistar o eleitorado em meio a um cenário político complexo.
Aposta em narrativas e o risco do “pensamento mágico”
Ainda é cedo para cravar os finalistas da disputa presidencial. Na esquerda, a candidatura de Lula à reeleição parece consolidada. Contudo, na direita, nomes como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema despontam como potenciais concorrentes, com Flávio liderando em algumas pesquisas de intenção de voto. No entanto, a trajetória de eleições passadas demonstra que pesquisa não é urna, e o cenário pode sofrer alterações significativas até outubro.
O senador Flávio Bolsonaro tem investido em uma estratégia que beira o “pensamento mágico”, ao afirmar que subirá a rampa do Palácio do Planalto ao lado de seu pai, Jair Bolsonaro, no dia da posse. Tal discurso ignora a realidade jurídica de Jair Bolsonaro, que cumpre pena por tentativa de golpe. A intenção clara é associar sua eventual vitória ao retorno de Jair Bolsonaro ao poder, buscando mobilizar a base de apoiadores do ex-presidente.
O “país destruído” de Lula e as fragilidades das campanhas
Do lado de Lula, o ilusionismo se manifesta na negação dos erros e fraquezas do seu governo, atribuindo a “nação destruída” aos mandatos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Embora problemas como a gestão da pandemia tenham sido graves, a afirmação de que o país estava completamente destruído ao assumir é considerada um exagero por analistas. A economia, apesar de desacelerada, não colapsou, e reformas importantes foram implementadas.
A estratégia de Lula de culpar antecessores por problemas atuais pode ter alcance limitado, especialmente em questões complexas como a crise dos precatórios. A dificuldade reside em converter essas críticas em votos, uma vez que as relações de causa e efeito são intrincadas para o eleitor comum.
Diferenciação na direita e o desafio da moderação
Na direita, a disputa pela atração dos mesmos eleitores se mostra desafiadora. Ronaldo Caiado tentou se diferenciar ao prometer anistia a condenados por tentativa de golpe, mas essa postura gerou controvérsia. Romeu Zema, inicialmente focado no liberalismo econômico, surge como um possível vice na chapa de Flávio Bolsonaro, apesar de ter negado essa possibilidade anteriormente.
A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta o dilema de conciliar a imagem de um possível governo influenciado por Jair Bolsonaro com a necessidade de apresentar um discurso de moderação. A tentativa de explorar a experiência de Flávio em detrimento de Jair pode não ser suficiente para convencer eleitores que buscam um perfil mais conciliador, levantando a questão: qual a real diferença na prática?
Em suma, ambas as campanhas parecem apostar em truques e narrativas mirabolantes para convencer o eleitorado, em um jogo de ilusionismo que busca mascarar fragilidades e projetar uma imagem de força e continuidade.
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