Lula e o Voto Evangélico: Aposta Populista Ignora Valores

Lula busca apoio evangélico com estratégia questionada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um desafio considerável em sua busca por conquistar o eleitorado evangélico, um grupo que representa cerca de um em cada quatro brasileiros com mais de 10 anos. Apesar dos esforços de marketing e articulação social, a desaprovação da gestão petista entre os evangélicos tem crescido nos últimos anos.

Aposta em programas sociais: um cacoete populista?

Em um discurso recente em Salvador, Lula sugeriu que a estratégia para atrair esse público seria destacar os benefícios dos programas sociais. Ele afirmou que “90% dos evangélicos ganham benefícios do governo” e que é preciso conversar com eles sobre isso. Essa abordagem, no entanto, é criticada como um **cacoete populista**, baseado na crença de que o recebimento de ajuda estatal seja um argumento infalível para garantir votos.

Especialistas apontam que a afirmação sobre a porcentagem de evangélicos em programas sociais pode não condizer com dados demográficos sobre a renda desse grupo religioso. Além disso, mesmo que a informação fosse precisa, a ideia de que beneficiários sociais são automaticamente fiéis a um governo é simplista. Os cidadãos que recebem auxílio geralmente veem os benefícios como políticas de Estado, difíceis de serem revertidas, e não desejam depender deles eternamente.

Valores e Identidade: O ponto cego da estratégia petista

A estratégia de enviar militantes para as periferias com o intuito de creditar a Lula os benefícios sociais pode ser **inócua** e, pior, não aborda a raiz da rejeição de parte do eleitorado evangélico ao presidente e ao PT: a **percepção de valores incompatíveis**. A conquista do apoio emocional e racional desse público exige mais do que a menção a programas sociais.

Lula parece mirar as mentes evangélicas com um arsenal limitado, ignorando a necessidade de dialogar com seus corações e suas identidades. Apesar de o próprio partido e organizações de esquerda possuírem pesquisas e diretrizes para a aproximação com os evangélicos, uma abordagem forçada ou excessivamente eleitoreira pode gerar o efeito contrário, afastando ainda mais esse segmento crucial do eleitorado.


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