Lula enfrenta “fadiga política” e desgaste eleitoral, aponta entorno do presidente
Governo aposta em obras e uso da máquina pública para impulsionar popularidade em ano de eleições
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstram preocupação com o que chamam de “desgaste natural” da imagem do petista. Apesar de esforços para projetar vitalidade aos 80 anos, o círculo próximo de Lula reconhece que a **longa trajetória em disputas presidenciais**, que remonta a 1989, pode ter gerado um **cansaço na população**.
Pesquisas refletem o cenário de “fadiga política”
Assessores próximos admitem que essa “fadiga política” se reflete nos índices de popularidade e intenção de votos. O principal desafio agora é **aumentar a aprovação da gestão** entre aqueles que classificam o governo Lula 3 como “ótimo” ou “bom”. A pesquisa Ipsos-Ipec divulgada recentemente aponta que apenas 33% dos brasileiros avaliam o governo positivamente, enquanto 40% o consideram “ruim” ou “péssimo”.
Estratégia de inaugurações e pautas populares em jogo
Para reverter esse quadro, o governo aposta em uma **intensa agenda de viagens** do presidente, focada na inauguração de obras e entrega de etapas de programas. Lula tem visitado estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, buscando associar sua imagem à entrega de benefícios concretos, como ônibus escolares e apartamentos populares. A legislação eleitoral, que restringe inaugurações a partir de 4 de julho, intensifica a corrida contra o tempo.
A estratégia inclui a tentativa de colar a **popularidade das obras à imagem de Lula**, especialmente em estados com grande peso eleitoral. No Rio de Janeiro, por exemplo, o presidente participou de inaugurações e anúncios de investimentos, em um cenário onde o prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo, é visto como favorito. Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, Lula visitou uma refinaria e entregou ônibus escolares.
No entanto, as **grandes apostas populares do governo para o ano eleitoral ainda não decolaram**. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, aprovada em novembro, ainda não impacta a declaração deste ano. A proposta de fim da escala trabalhista 6×1 enfrenta resistência na Câmara, e o projeto de tarifa zero para transporte público, que deve constar no programa de reeleição, sequer foi debatido no Congresso.
O entendimento no Planalto é que a eleição de outubro funcionará como um **plebiscito sobre a continuidade de Lula**, e que qualquer candidato competitivo partiria de um patamar acima de 30% devido ao desgaste da imagem do atual presidente.
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