Rotina de isolamento e frustração marca o Dia Mundial do Autismo para família em João Pessoa
A luta pela dignidade e pelo acesso a tratamentos adequados para pessoas com autismo ganhou voz em João Pessoa através do relato comovente de Josilene, mãe de um adolescente de 16 anos diagnosticado com autismo nível 3 de suporte. Em um cenário de profunda carência de profissionais e estrutura, o jovem está há meses sem receber a terapia essencial para seu desenvolvimento, gerando um ciclo de isolamento e frustração para toda a família.
Desafios logísticos e a ausência paterna agravam a situação
Josilene narra as dificuldades diárias enfrentadas para garantir o bem-estar do filho. A agressividade e a força do adolescente, características comuns em casos de autismo severo, impedem que ele seja atendido por terapeutas do sexo feminino, limitando ainda mais as opções de profissionais disponíveis. Além disso, a logística para o tratamento se torna um obstáculo intransponível. “Uma terapia só por semana para ele não serve, e nem ele vai, porque eu não tenho como levar e também não tem quem venha me ajudar a tirar de dentro do carro”, desabafa a mãe, evidenciando a precariedade do suporte oferecido.
A situação é agravada pela completa ausência do pai do adolescente. Josilene relata que, apesar de o pai pagar uma pensão alimentícia considerada insuficiente, ele evita qualquer contato, chegando a bloquear a mãe do filho nas redes sociais. “O pai abandonou, não quer contato. Apenas dá uma pensão alimentícia que é muito pouca, que só dá para a medicação. Eu não tenho contato nenhum, ele me bloqueou em tudo”, lamenta Josilene, que cuida do filho sozinha.
Um sonho de adaptação e esperança em meio à adversidade
Diante de um cenário de escassez de apoio e recursos, o grande sonho de Josilene é conseguir criar um ambiente mais adequado para o filho dentro de casa. A mãe demonstra resiliência e busca alternativas para amenizar o sofrimento do adolescente. “Hoje o que eu queria era conseguir adaptar um espaço dele, que eu tenho um espaço”, finaliza, com a esperança de oferecer um mínimo de conforto e estímulo ao filho, que, segundo ela, “apenas existe” diante da falta de condições para viver plenamente.
A história de Josilene é um retrato doloroso da realidade de muitas famílias que lidam com o autismo no Brasil, clamando por políticas públicas mais eficazes e um olhar mais atento para as necessidades de pessoas com deficiência e seus cuidadores.
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