Operação da Polícia Federal expõe rede criminosa com tentáculos em vários estados
A Polícia Federal deflagrou a Operação Concorrência Simulada, que investiga a chamada ‘Máfia dos Concursos’, um sofisticado esquema de fraudes em concursos públicos com sede na Paraíba. A operação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, com alvos em três estados, revelando um grupo que cobrava valores exorbitantes, chegando a R$ 500 mil por vaga, e utilizava métodos tecnológicos avançados para garantir a aprovação de candidatos.
Integrantes e Métodos da Organização Criminosa
Entre os principais investigados está Gustavo Xavier do Nascimento, Delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, suspeito de pressionar familiares para obter vantagens ilícitas. Outro nome em destaque é Eudson Oliveira de Matos, policial civil e braço direito de Gustavo, que teria prestado concurso para Delegado. Ramon Izidoro Soares Alves, também policial civil e vereador, é apontado como integrante da organização, repassando informações sobre operações policiais.
Os dois presos na operação são Dárcio de Carvalho Lopes da Silva Souza, professor de português e funcionário da Caixa Econômica Federal, que já foi detido em 2017 por participar de fraude em prova do Ministério Público do Rio Grande do Norte, e Flávio Luciano Nascimento Borges, também funcionário da Caixa e réu em outros inquéritos por fraudes em concursos, sendo denunciado como líder de organização criminosa.
O esquema envolvia o uso de tecnologia para burlar sistemas de segurança, como dublês, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e comunicação em tempo real durante as provas. A investigação aponta que o grupo atuava há mais de uma década, vendendo aprovações, corrompendo agentes de fiscalização e utilizando mecanismos de fraude e falsificação para garantir cargos de alto escalão.
Impacto e Abrangência das Fraudes
As fraudes investigadas alcançaram concursos de grande relevância, incluindo os da Polícia Federal, Caixa Econômica Federal, Polícias Civil e Militar, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Banco do Brasil e o recente Concurso Nacional Unificado (CNU). A organização aceitava não apenas dinheiro vivo, mas também pagamentos em ouro, veículos e até procedimentos odontológicos como forma de propina.
Outros Investigados e a Família Limeira
A lista de investigados inclui ainda Flávio Pedro da Silva, que atuou na fraude do concurso da Polícia Federal e possivelmente foi beneficiário da fraude no CNU, e Ingrid Luane de Souza Ferreira, que teria fotografado provas do CNU para envio de respostas via ponto eletrônico. Lariça Saraiva Amando Alencar, esposa de um delegado da Polícia Civil, é suspeita de ter sido aprovada em concurso mediante fraude. Waldir Luiz de Araújo Gomes, servidor do TRE-PB, conhecido como “Mister M”, atuava como coordenador de local de prova, facilitando o acesso a malotes de provas. Mércio Xavier Costa do Nascimento, irmão do delegado Gustavo Xavier, teve gabarito idêntico ao de outro investigado. Alvanir Gomes da Silva teria atuado ativamente na fraude da PF e sido beneficiado no CNU.
A investigação também cita integrantes da família Limeira, como Wanderlan Limeira de Sousa, Wanderson Gabriel de Brito Limeira, Larissa de Oliveira Neves, Valmir Limeira de Souza e Wanderlan Limeira de Sousa, que já foram investigados por fraudes no CNU. A Polícia Federal busca desarticular completamente essa rede criminosa, que demonstra uma atuação organizada e com ampla capacidade de manipulação em processos seletivos públicos.
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