Maioria desaprova decisão de Gilmar Mendes que dificulta impeachment de ministros do STF
A recente decisão liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, que altera significativamente os critérios para a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), enfrenta uma forte resistência em diversos setores da sociedade brasileira. Uma pesquisa divulgada pela Genial/Quaest nesta sexta-feira (19) aponta que a maioria dos entrevistados, 51%, se posiciona contrária à medida, enquanto apenas 33% concordam e 16% não souberam ou não responderam.
Resistência Amplia-se Além de Segmentos Específicos
A oposição à liminar de Gilmar Mendes não se restringe a um grupo político específico. O levantamento indica que a desaprovação alcança eleitores de esquerda não lulista e independentes, demonstrando um descontentamento generalizado com a alteração no rito do impeachment. Entre os eleitores independentes, 50% são contra a mudança, enquanto 30% a apoiam. Na direita não bolsonarista, o índice de reprovação é ainda maior, atingindo 70%.
Posicionamento Divergente entre Eleitores Lulistas e Bolsonaristas
Curiosamente, a pesquisa também aponta divergências dentro de grupos políticos tradicionais. Entre os que se declaram lulistas, 46% apoiam a liminar, em contraste com 34% que discordam. Já no segmento bolsonarista, a resistência à decisão de Gilmar Mendes é expressiva, com 59% dos entrevistados sendo contra a liminar, apesar de 33% se mostrarem a favor.
Detalhes da Liminar e Suspensão Parcial
A liminar, concedida em 3 de dezembro, restringiu a possibilidade de apresentação de denúncias por crime de responsabilidade contra ministros do STF, retirando a legitimidade de qualquer cidadão para iniciar o processo, atribuindo essa função exclusivamente à Procuradoria-Geral da República (PGR). Gilmar Mendes também elevou o quórum necessário para o afastamento de um ministro para dois terços do Senado, o equivalente a 54 dos 81 senadores, alterando a regra anterior que exigia maioria simples. Posteriormente, em 10 de dezembro, Gilmar Mendes atendeu a um pedido do Senado e suspendeu parcialmente os efeitos da liminar, apenas no trecho que atribuía exclusivamente à PGR a iniciativa para pedir o afastamento de ministros do STF, aguardando que o Congresso legisle sobre o tema.
A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros presencialmente entre os dias 11 e 14 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
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