Messias se declara contra aborto em encontro com a CNBB

Advogado-geral da União participa de reunião em Brasília com lideranças religiosas.

O advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, que foi indicado pelo presidente Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), participou de uma reunião com membros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Brasília. Durante o encontro, Messias expressou sua **posição contrária ao aborto**, indicando uma visão compatível com a teoria concepcionista, que defende o início da vida a partir da fecundação.

A CNBB descreveu o encontro como uma “visita de cortesia”, onde foram discutidos “diversos temas ligados ao atual contexto religioso, socioambiental, político e cultural do país”. A reunião ganhou destaque após a oposição relembrar um parecer emitido pela AGU, no qual Messias questionou a constitucionalidade de uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). Essa resolução **vetava o procedimento de assistolia fetal**, utilizado em abortos após 20 semanas de gestação.

Parecer sobre assistolia fetal reacende polêmica.

Na ocasião, Messias argumentou que o tema do aborto deveria ser regulamentado por meio de lei, e não por decisões de conselhos profissionais como o CFM. A assistolia fetal, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), envolve a injeção de cloreto de potássio no feto para interromper seus batimentos cardíacos.

A manifestação de Messias gerou críticas, como a do deputado Maurício Marcon (Podemos-RS), que declarou: “O AGU de Lula defende matar um bebê com uma agulha no coração, mesmo que este esteja já com 9 meses. Além de AGU é o indicado do presidente ao STF, e tem quem jure que ele é um cristão!”. A polêmica em torno da posição do indicado ao STF evidencia as **tensões políticas e ideológicas** em torno do tema.

Indicado ao STF busca diálogo com o Congresso.

Em paralelo, Jorge Messias tem buscado fortalecer laços com o Congresso Nacional. Em entrevista ao Valor Econômico, ele expressou o desejo de se reunir com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, e elogiou o “espírito público” do parlamentar. Messias afirmou que “até o último dia, trabalharei incansavelmente para encontrar a totalidade dos senadores, obedecendo aos princípios da democracia e das instituições republicanas”.

A indicação de Messias ao STF, que foi uma escolha do presidente Lula em detrimento de Pacheco, nome defendido pelo senador Davi Alcolumbre, gerou desconforto e influenciou pautas no Senado, como a da aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde. A **tensão entre os poderes Executivo e Legislativo** se manifestou ainda mais quando Messias divulgou uma nota sobre sua disposição para a sabatina antes de dialogar diretamente com Alcolumbre, que, por sua vez, respondeu que agendaria a votação “no momento oportuno”. O prazo curto para a aprovação de Messias é visto como um reflexo desse clima de **desarticulação política**.


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