A proposta de um Ministério da Segurança Pública tem ganhado força, mas especialistas alertam para a necessidade de um plano robusto e de longo prazo para que a iniciativa não se perca em disputas corporativas e burocracia.
A discussão sobre a criação de um Ministério da Segurança Pública no Brasil surge como uma potencial ferramenta para dar mais foco e eficiência ao combate à criminalidade. A ideia é centralizar as ações, promovendo uma gestão mais especializada e uma melhor coordenação entre União, estados e municípios. Contudo, a efetividade dessa nova estrutura depende crucialmente de um planejamento detalhado que considere os impactos institucionais, federativos e operacionais, tanto no médio quanto no longo prazo.
Lições do Passado e o Alerta da Experiência
Em 2018, o Brasil já vivenciou uma experiência semelhante com a criação do Ministério Extraordinário da Segurança Pública durante o governo de Michel Temer. Embora a intenção fosse positiva, focando exclusivamente no enfrentamento da criminalidade e vislumbrando maior integração entre as forças policiais, a iniciativa teve vida curta e resultados limitados. A falta de **continuidade institucional** e de **articulação política** foram apontadas como entraves, mesmo diante da existência do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). O episódio serve como um **alerta crucial**: sem uma estratégia clara e visão de futuro, uma nova pasta pode se resumir a uma mera mudança de nome, sem trazer melhorias reais para a segurança pública.
Potenciais Ganhos de um Ministério Dedicado
A especialização de uma pasta exclusiva para a segurança pública pode trazer **ganhos efetivos**. Um ministério próprio poderia garantir maior **visibilidade política** ao tema, facilitar a **gestão especializada** e otimizar a **coordenação de esforços** entre os entes federativos. No modelo atual, onde o tema se dilui em diversas áreas da Justiça, a implementação de medidas concretas se torna mais desafiadora. Uma estrutura dedicada teria maior capacidade de integrar logística, operações e decisões, além de estar mais apta a captar recursos qualificados e alinhar as ações entre os diferentes níveis de governo.
Desafios e a Busca pela Legitimidade
Apesar dos potenciais benefícios, a criação de um novo ministério enfrenta **grandes desafios**. Um deles é o risco de fragmentação na interlocução com outras instituições essenciais, como o Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública. A capacidade da nova pasta de **controlar disputas institucionais** e promover **sinergia efetiva** entre União, estados e municípios é fundamental. Isso inclui não apenas a operação conjunta, mas, principalmente, o **compartilhamento de informações e bases de dados**, essenciais para aprimorar a atuação das forças de segurança e reduzir a impunidade. Para tanto, será necessária a construção de **legitimidade técnica**, o respeito ao **conhecimento científico** e uma forte **articulação política**. A liderança da nova pasta exigirá um perfil **estratégico** e elevada capacidade de **negociação**, garantindo que a nova estrutura seja mais do que uma simples mudança de nome, mas sim um motor de **políticas de Estado** consistentes e baseadas em **evidências**.
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