Morre Renato Rabelo, histórico presidente do PCdoB, aos 83 anos

Renato Rabelo, figura proeminente no Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e presidente da sigla por 14 anos, faleceu neste domingo aos 83 anos. A notícia foi comunicada pelo próprio partido, que o descreveu como um dos mais importantes dirigentes de sua história. Rabelo dedicou os últimos anos de sua vida ao tratamento de saúde, lutando contra um câncer. Ele deixa esposa e filhos.

Trajetória de Luta e Liderança

Um Militante Desde a Juventude

A militância de Renato Rabelo começou cedo. Ele foi vice-presidente nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE) e vivenciou a repressão nos primeiros anos da ditadura militar. Já filiado à Ação Popular (AP), Rabelo foi peça-chave na integração dessa organização ao PCdoB em 1973. Sua atuação o levou ao exílio na França em 1976, período marcado pela Chacina da Lapa, onde membros do PCdoB foram assassinados, presos e torturados. Com a anistia de 1979, Rabelo pôde retornar ao Brasil.

Fortalecendo Relações Internacionais e Articulações Políticas

Durante sua trajetória, Rabelo deu especial atenção ao fortalecimento das relações do PCdoB com países socialistas, como China, Vietnã e Cuba. Ele também foi um dos articuladores, ao lado de João Amazonas, da Frente Brasil Popular. Essa aliança, formada por PT, PSB e PCdoB, lançou em 1989 a primeira candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, jornada que culminou com a vitória de Lula em 2002.

Legado na Fundação Maurício Grabois

Após deixar a presidência do PCdoB em 2015, Renato Rabelo assumiu a presidência da Fundação Maurício Grabois em abril de 2016. Na entidade, liderou um programa de estudos focado no capitalismo contemporâneo, na luta pelo socialismo e nos desafios do desenvolvimento nacional. Em 2025, foi homenageado como presidente de honra da Fundação, em reconhecimento às suas contribuições. A entidade destacou em nota que “Renato pertence à estirpe dos que não se afastam da história quando ela se torna dura. Enfrentou derrotas sem renunciar a princípios, atravessou transformações profundas do mundo sem perder o rumo, soube renovar ideias sem romper com convicções”.


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