PT em xeque no Nordeste: desafios crescem na era Lula
O Partido dos Trabalhadores (PT) se depara com um panorama eleitoral inesperadamente desafiador no Nordeste, região tradicionalmente vista como um reduto fiel. Pesquisas recentes apontam para uma vantagem da oposição em estados cruciais como Bahia, Maranhão e Ceará, enquanto outros palanques enfrentam indefinições e conflitos internos. A dependência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para firmar alianças e impulsionar candidaturas que hoje aparecem atrás nas pesquisas, como no Rio Grande do Norte, evidencia a nova dinâmica regional.
O voto nordestino mudou, e o PT sente o impacto
O cientista político Murilo Medeiros, da UnB, alerta que o Nordeste, embora ainda estratégico para Lula, já não garante vitórias automáticas. “O voto nordestino tornou-se mais volátil, urbano e pragmático, sensível a temas como custo de vida, segurança pública e qualidade dos serviços públicos”, observa Medeiros. Ele destaca a perda de capilaridade territorial do campo progressista, que pode resultar no pior desempenho do PT para governadores na região desde 2002, caindo de 90% do eleitorado em 2018 para uma projeção de cerca de 23% em 2026.
Estados em disputa: da Bahia ao Ceará, a olho no eleitor
Na Bahia, o ex-prefeito ACM Neto (União) lidera as intenções de voto contra o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT). Apesar do cenário adverso, aliados de Jerônimo apostam na máquina estadual, em entregas de gestão e na força de Lula, que passará parte do Carnaval no estado. No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) surge como um forte concorrente para o governador Elmano de Freitas (PT), com 44,8% das intenções de voto contra 34,2%. O PT confia na desidratação de Ciro e na alta aprovação do governo estadual, perto dos 60%.
No Maranhão, a esquerda está dividida, com o governador Carlos Brandão (sem partido) rompendo com o vice-governador Felipe Camarão (PT) e apoiando o sobrinho, Orleans Brandão (MDB). Eduardo Braide (PSD) lidera as pesquisas. O PT aguarda uma intervenção de Lula para resolver o impasse e evitar prejuízos ao palanque presidencial.
Palanques incertos e apostas estratégicas
Em Alagoas, a disputa é acirrada entre o ministro Renan Filho (MDB) e o prefeito JHC (PL). O PT ainda não definiu seu apoio, ponderando a dinâmica política local. Na Paraíba, o governador João Azevêdo (PSB) apoiará seu vice, Lucas Ribeiro (PP), contra o prefeito Cícero Lucena (MDB). O PT decidirá seu palanque em conjunto com Lula.
Pernambuco, estado natal de Lula, oferece um respiro com a vantagem do prefeito do Recife, João Campos (PSB), sobre a governadora Raquel Lyra (PSD). Contudo, a diferença diminui, e o PSD, com forte presença municipal, busca fortalecer a campanha de Lyra. No Piauí, o governador petista Rafael Fonteles (PT) caminha para uma reeleição tranquila, com 67% das intenções de voto.
Já o Rio Grande do Norte apresenta um dos cenários mais críticos para o PT. A governadora Fátima Bezerra (PT) aposta no secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), desconhecido pelo eleitorado, contra Allysson Bezerra (União) e Rogério Marinho (PL). A esperança reside na força de Lula para impulsionar o candidato petista. Em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD) lidera, e o PT indicará apoio ao atual governador, com a decisão final a cargo do partido.
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