O Estado “Papai”: A Sociedade Mimada e a Crise de Deveres

O Estado “Papai”: A Sociedade Mimada e a Crise de Deveres

Crítica aponta que cidadãos cobram direitos do Estado, mas esquecem obrigações, criando um ciclo de dependência e superficialidade.

A ilusão da menor taxa de desemprego

A percepção de que o Brasil atingiu a menor taxa de desemprego da história tem sido posta em xeque. Segundo o Ministro Henrique Meirelles, essa taxa é falaciosa pois considera apenas aqueles que estão ativamente à procura de um emprego. Uma parcela significativa da população, que não busca recolocação formal, pode estar recebendo seguro-desemprego e outros benefícios, o que distorce os números reais. Esse cenário levanta preocupações sobre o excesso de assistencialismo sem o devido investimento em educação de qualidade, o que poderia perpetuar um ciclo de dependência.

A crítica sugere que, embora programas sociais sejam necessários como etapa transitória, eles não devem desencorajar a busca por trabalho. A dificuldade em reverter essa tendência se agrava com a rigidez da legislação trabalhista, que desencoraja a contratação formal pelo medo de litígios. A ocupação de espaços públicos, como calçadas, e a proliferação de moradores de rua também são sintomas dessa relação distorcida entre o cidadão e o Estado.

O esquecimento dos deveres em prol dos direitos

O artigo destaca um desequilíbrio preocupante na relação entre o cidadão e o Estado: a ênfase exacerbada nos direitos em detrimento dos deveres. A sociedade, com um fervor quase fanático, lembra-se da profusão de direitos garantidos pela Constituição de 1988, mas negligencia as responsabilidades e obrigações inerentes à cidadania. Essa mentalidade cria uma expectativa de que o Estado, em sua aparente onipotência, deve satisfazer todas as demandas, desde o sustento básico até a resolução de problemas complexos como as mudanças climáticas, causadas pelo uso excessivo de combustíveis fósseis.

Essa demanda incessante por intervenção estatal, mesmo em questões que dependem de ação individual e coletiva, como a questão ambiental, reflete uma cultura de transferência de responsabilidades. A sociedade espera que o Estado resolva tudo, sem reconhecer seu próprio papel na solução dos problemas. Essa dinâmica se estende à política, onde os eleitores buscam representantes que prometam atender a todas as suas exigências, muitas vezes sem considerar a viabilidade ou a ética dessas promessas.

A superficialidade e o imediatismo na era digital

A transformação social descrita aponta para uma sociedade cada vez mais impregnada de princípios mundanos, superficial em sua mediocridade e marcada pelo imediatismo, egoísmo e consumismo. Em um cenário onde o “pluralismo ético” é invocado para legitimar comportamentos questionáveis, a ética dos indivíduos com princípios mais elevados tende a se retrair, tornando-se uma reserva subjetiva e silente. O espaço público, por sua vez, é dominado pela ética dos interesses, das falcatruas e do “salve-se quem puder”.

Nesse contexto, o Estado é retratado como um “papai” que mima a sociedade, oferecendo carinho e atenção em troca de votos. Contudo, a “criança mimada” nem sempre corresponde às expectativas, preferindo se encantar com celebridades fabricadas pela mídia e pelas redes sociais. A missão do Estado se torna inglória, buscando atender a todos e, ao mesmo tempo, permanecer invisível, um paradoxo de onipresença e timidez. Diante desse cenário, o “Estado papai” é forçado a se adaptar, cortejando as massas através de influenciadores e técnicas tecnológicas persuasivas, moldando a humanidade no século XXI.


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