Investigação da PF aponta ‘Sicário’ como operador de R$ 25 milhões em repasses ilícitos.
A morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário’ nas investigações da Polícia Federal, adiciona uma camada de mistério à Operação Compliance Zero. Apontado como o coordenador operacional de uma estrutura clandestina ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, Mourão teria recebido entre R$ 24 e R$ 25 milhões em repasses, com valores mensais que chegavam a R$ 1 milhão. Sua função, segundo a PF, ia além de um simples executor, envolvendo monitoramento de alvos, intimidação e acesso irregular a informações sigilosas.
Mourão, que não era policial federal da ativa, possuía um histórico que incluía atividades em segurança privada informal, cobrança violenta, fraudes financeiras e associação criminosa. A presença de um policial federal aposentado no esquema, Marilson Roseno da Silva, sugere expertise técnica dentro da organização.
Versão oficial de suicídio é questionada por observadores e pelo contexto.
Preso em Belo Horizonte no dia 4 de março de 2026, Mourão foi encontrado desacordado horas depois na cela da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. A versão oficial, sustentada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues, é de tentativa de suicídio. Segundo ele, câmeras de segurança teriam registrado toda a ação, e as imagens foram encaminhadas ao ministro do STF, André Mendonça. Socorro foi prestado, mas a morte encefálica foi confirmada em 6 de março.
No entanto, a narrativa oficial enfrenta ceticismo. Observadores apontam que, como peça central do esquema e com acesso direto a pagamentos e informações estratégicas, a decisão de um ‘silêncio definitivo’ logo após a prisão soa improvável. A morte dentro de uma instalação federal, sob vigilância constante, levanta questões sobre a suficiência dos protocolos de segurança para um preso de alto valor investigativo.
O desaparecimento do ‘arquivo vivo’ e o impacto nas investigações.
A morte de Mourão representa a perda de um ‘arquivo humano’, um elo operacional vivo que poderia detalhar o funcionamento da ‘Turma’, os repasses milionários e as conexões entre os diferentes níveis da estrutura criminosa. Embora documentos e mensagens interceptadas permaneçam, o depoimento direto de quem coordenava o dia a dia é insubstituível e pode enfraquecer a consolidação de provas contra outros envolvidos.
As autoridades afirmam possuir registros completos, laudos e imagens que corroboram a conclusão de suicídio. Contudo, a falta de divulgação integral desses elementos dificulta a verificação independente, deixando um rastro de perguntas sem respostas claras. O caso do Banco Master segue em andamento, mas o principal operador de campo jamais será ouvido.
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