O Paradoxo de Moravec – Estadão

Hans Moravec (1948- ), nascido na Áustria, naturalizado canadense e atualmente morador dos Estados Unidos, é membro do corpo acadêmico do renomado Instituto de Robótica da Universidade de Carnegie Mellon (Pittsburgh, EUA). Ele observou que atividades que necessitam de habilidade de raciocínio possuem um custo computacional bem mais limitado que atividades que exigem percepção e movimento. Em seu livro de 1988, Mind Children (no Brasil, “Homens e Robots: O futuro da inteligência humana e robótica”), ele escreve: “é relativamente fácil fazer computadores apresentarem um desempenho comparável ao de um adulto em testes de inteligência ou em um jogo de damas, mas difícil ou impossível atribuir-lhes as habilidades cognitivas e de locomoção de uma criança de um ano”.

A lógica que explica este paradoxo pode estar, segundo o próprio Moravec, na forma sistemática da evolução das espécies, conforme publicado por Charles Darwin (1809-1882) em 1859: quanto mais antiga a habilidade, mais tempo o processo de seleção natural teve para atuar e otimizar aquela característica. Andar, interagir com o meio ambiente, reconhecer imagens, desviar-se de obstáculos, são tarefas que nossos antepassados já desempenhavam há centenas de milhares de anos. O raciocínio lógico, a matemática, a ciência — esses são atributos relativamente novos, que estamos desenvolvendo há muito menos tempo. Como Steven Pinker (1954-) escreveu em seu livro de 1994, “O Instinto da Linguagem”: “a principal lição […] de pesquisa em IA é que os problemas complexos são simples e que os problemas simples são complexos.”

Foi apenas nos últimos anos, com a redução no custo do espaço de armazenamento digital, o maior poder dos microprocessadores, a evolução dos sensores e a criação de algoritmos revolucionários que permitem que máquinas “aprendam”, que finalmente entidades artificiais começaram a ser capazes de perceber o mundo à sua volta: entre tantos exemplos, temos sistemas de reconhecimento de voz e de imagem, veículos autônomos, robôs em centros de logística e distribuição e braços robóticos em fábricas.

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