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O filme brasileiro O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, acaba de conquistar indicações a quatro categorias do Oscar 2026, a premiação de cinema mais famosa do mundo. São elas: Melhor Ator, Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco.
Esta última é uma estatueta inédita, a primeira nova categoria criada pela Academia em mais de duas décadas. A adição anterior havia sido em 2001, com a criação do prêmio de Melhor Animação.
Os concorrentes na nova categoria incluem Hamnet: A vida antes de Hamlet, com Jessie Buckley e Paul Mescal; Marty Supreme, estrelado por Timothée Chalamet; Uma Batalha Após a Outra, com Leonardo DiCaprio; e Pecadores, com Michael B. Jordan.
Mas, afinal, o que faz um diretor de elenco? Esses profissionais são responsáveis por escolher os atores ideais para cada papel, do protagonista aos figurantes. Além de garantir boas performances individuais, precisam pensar na coesão do elenco como um todo, trabalho que vai muito além de “caçar talentos” ou contratar o artista do momento.
Antes de tudo, o diretor de elenco dialoga com o diretor e com a equipe de produção para entender a mensagem, a estética, o orçamento do filme e, principalmente, as necessidades específicas de cada personagem.
Aparência, disponibilidade, fama e outros fatores entram nessa equação. As famosas audições, em que os atores fazem testes interpretando pequenas cenas do filme, também fazem parte de suas atribuições.
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No caso de O Agente Secreto, Domingues deu conta de equilibrar grandes nomes com atores novos nas telas, um feito que costuma passar despercebido em categorias mais individualizadas do Oscar, como melhor ator ou melhor diretor. Em Melhor Direção de Elenco, a proposta é justamente olhar para a construção coletiva por trás de um filme.
O elenco de peso do filme brasileiro é liderado por Wagner Moura no papel de Marcelo, um professor que tenta recomeçar a vida em Recife, em plena ditadura militar, mas acaba envolvido em perseguições políticas.
Gabriel Leone, que fez sucesso na minissérie Senna, da Netflix, interpreta Bobbi, um matador de aluguel. O clima de tensão é completado pela misteriosa Elza, interpretada por Maria Fernanda Cândido e Alice Carvalho, que dá vida à Fátima, esposa de Marcelo. A atriz teve sua atuação elogiada publicamente por Ryan Coogler, diretor de Pecadores.
Em meio a esses nomes consagrados, destaca-se Tânia Maria, potiguar de 79 anos que rouba a cena como Dona Sebastiana, personagem chave para a fuga de Marcelo – e que fuma constantemente.
Artesã, Tânia estreou no cinema há poucos anos, em Bacurau, também dirigido por Kleber Mendonça Filho. Em O Agente Secreto, o diretor escreveu o papel especialmente para ela, que desenvolveu a técnica de copiar as falas à mão como forma de decorá-las.
Nada disso acontece por acaso. Por trás de um elenco como esse está o trabalho de um profissional fundamental para o cinema – e que só agora sai dos bastidores para ser reconhecido pelo Oscar: o diretor de elenco. No caso de O Agente Secreto, o responsável é Gabriel Domingues, representante brasileiro na nova categoria.
Embora anunciada em 2024 e implementada oficialmente apenas neste ano, a criação da nova estatueta era desejada há mais de uma década. Em 2013, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas criou o ramo de diretores de elenco, que hoje conta com cerca de 160 membros. Eles foram os responsáveis por selecionar os indicados da categoria.
Os vencedores desta e das outras categorias do Oscar serão anunciados no dia 15 de março, a partir das 20h (horário de Brasília), com transmissão ao vivo pela televisão e por plataformas de streaming.
[Por: Superinteressante]
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