O Prêmio Nobel de Economia deste ano foi concedido a um trio de economistas: Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson. Os nomes foram anunciados nesta segunda-feira, 14, pela Academia Real de Ciências da Suécia em Estocolmo, Suécia. Segundo o comitê de seleção, o prêmio foi concedido por seus “estudos sobre como instituições são formadas e afetam a prosperidade das nações”.

O vencedor do Prêmio Nobel de Economia, James A. Robinson, dá uma entrevista à Associated Press de sua casa no bairro de Hyde Park, em Chicago, na segunda-feira, 14 de outubro de 2024
Foto: Charles Rex Arbogast/AP
“Vocês precisam pensar no que o Brasil estava fazendo [no primeiro governo Lula], tentar melhorar a transparência e tornar o sistema político menos clientelista, menos corrupto, para que o Estado funcione melhor. Se você fizer várias pequenas mudanças, chega a um ponto em que as coisas começam a se mover”, disse o professor na entrevista.
Segundo Robinson, o Leviatã de Papel foi reforçado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que minava as instituições, mas também pelos governos do PT. O professor diz que no início dos governo do PT houve uma tentativa de construção de uma “sociedade forte” e de tornar o Estado mais transparente, além de medidas para reduzir a corrupção.
“Mas, antes mesmo de Bolsonaro se tornar presidente, os políticos brasileiros acabaram com essas medidas. Isso aconteceu porque elas não eram de interesse da classe política. Aí houve o fracasso da transição para um país com instituições políticas mais inclusivas”, afirmou na entrevista.

Economista Daron Acemoglu, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2024, fala à imprensa durante uma conferência em Atenas, Grécia, na segunda-feira, 14 de outubro de 2024
Foto: Petros Giannakouris/AP
Daron Acemoglu também já fez comentários sobre o Brasil. Em entrevista à revista Veja em 2023, o professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) disse que os programas de distribuição de renda, como aqueles criados por Lula nos seus primeiros mandatos, são importantes. No entanto, as políticas econômicas para reduzir as desigualdades sociais não devem se limitar apenas à transferência direta de renda.
Segundo ele, a estratégia mais eficaz para o Brasil seria focar na criação de oportunidades para inserir pessoas de diferentes níveis de habilidade e conhecimento no mercado de trabalho.
Acemoglu considera que a corrupção afetou a confiança na democracia brasileira. “Esse fenômeno levou ao aumento do apoio a figuras políticas que, em circunstâncias normais, não seriam consideradas, como um presidente que expressou simpatia pela ditadura militar ou manifestou intenções autoritárias”. De acordo com o professor, tanto a desigualdade quanto a corrupção representam ameaças ao funcionamento saudável da democracia e devem ser confrontadas.
Acemoglu ainda afirmou que o Brasil e outras economias emergentes têm papel crucial contra a supremacia da China e dos Estados Unidos.

Prêmio Nobel de Economia é concedido pelo Banco Central da Suécia Foto: Reprodução Youtube/Nobel Prize
Descubra mais sobre MNegreiros.com
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
