Operação Big Fish: Jogos de Azar Desmantelados, R$ 2 Bilhões Movimentados e Políticos Presos
Força-tarefa do MP e Polícia Civil apreende R$ 1,5 bilhão, 21 bets ilegais e investiga infiltração no poder público.
Sofisticação Tecnológica e Alcance Nacional
Uma megaoperação batizada de Big Fish, deflagrada pelo Ministério Público do Paraná e pela Polícia Civil, desarticulou uma **organização criminosa de alta sofisticação** voltada à exploração de jogos de azar. A ação resultou na prisão de 85 pessoas, incluindo dois vereadores, e na interrupção de 21 sites de apostas ilegais. A estrutura criminosa, caracterizada pelo **uso intensivo de tecnologia e ampla capilaridade territorial e financeira**, movimentou cerca de R$ 2 bilhões em 522 mil operações financeiras.
O cerne da operação tecnológica era o sistema ‘Suni’, desenvolvido por um dos líderes do grupo em Cianorte, que funcionava como uma plataforma central de gestão e controle das apostas ilegais. Essa ferramenta integrava, em tempo real, as diversas ramificações da organização, sendo utilizada em pelo menos 14 Estados e em mais de 15 mil pontos de exploração, incluindo bancas de jogo do bicho.
Infiltração no Poder Público e Sequestro de Bens Bilionários
O suposto envolvimento de políticos nas atividades ilícitas é um dos pontos mais preocupantes da investigação, evidenciando o **grau de infiltração da organização criminosa no poder público**. A operação, que se estendeu por dois dias, cumpriu 102 mandados de busca e apreensão e 184 ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias, visando ao sequestro de aproximadamente R$ 1,5 bilhão.
Além dos valores em dinheiro, foram sequestrados 132 veículos, avaliados em mais de R$ 11 milhões, 111 imóveis no valor de R$ 32,9 milhões e mais de 100 cabeças de gado. A base operacional da organização, segundo os investigadores, ficava em Cianorte, no Noroeste do Paraná, mas medidas judiciais foram cumpridas em diversas outras cidades do estado e em Goiás, São Paulo, Pará e Santa Catarina.
Lavagem de Dinheiro e Conexões Criminosas
As investigações revelaram um esquema criminoso hierarquizado, com núcleos distintos de liderança, financeiro, tecnológico e operacional. Para ocultar o patrimônio ilícito, os líderes utilizavam familiares para gerir empresas e movimentar valores, empregando técnicas típicas de lavagem de dinheiro, como o uso de empresas de fachada, ‘laranjas’ e facilitadoras de pagamento. A organização também explorava diversas plataformas digitais, incluindo o popular jogo ‘tigrinho’, com sistemas hospedados em servidores no exterior para dificultar a ação dos investigadores.
A operação também identificou a integração entre diferentes organizações criminosas, com ligações entre o núcleo de Cianorte e grupos atuantes em outros estados, formando uma rede que fornecia estrutura tecnológica, equipamentos e suporte operacional para a expansão dos jogos ilegais em todo o país.
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