Crise no STF se agrava com a saída de Toffoli da relatoria do caso Master
A recente saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) não arrefeceu a crise institucional, pelo contrário, a situação tende a piorar. Novas revelações sobre o ministro e o escândalo em si continuam a surgir, evidenciando um cenário de constrangimento para a corte e divisões internas.
O caso ganhou contornos ainda mais escandalosos com a possível gravação clandestina de uma reunião fechada entre ministros, que teria selado a saída de Toffoli. Trechos vazados sugerem que a degravação foi feita e divulgada, levantando suspeitas sobre a autoria entre os próprios integrantes do STF e intensificando a desconfiança.
Investigações apontam para repasses milionários e patrimônio sob lupa
As investigações da Polícia Federal, com base em celulares apreendidos, indicam que Daniel Vorcaro teria repassado cerca de R$ 35 milhões para o resort Tayayá. Este empreendimento teve a família Dias Toffoli entre seus sócios e o próprio ministro como frequentador assíduo, inclusive em eventos festivos sem registro de despesas.
Paralelamente, uma análise aritmética básica levanta questionamentos sobre a origem da fortuna de Dias Toffoli. Considerando seu tempo como funcionário público, com rendimentos totais estimados em R$ 8 milhões ao longo de vinte anos entre a Advocacia-Geral da União (AGU) e o STF, surge a indagação sobre como ele pôde se tornar sócio de um resort de alto luxo, sem contar os gastos com imóveis, festas e viagens.
O futuro de Vorcaro e a posição dos partidos
Enquanto a origem da fortuna de Toffoli está sendo detalhadamente esmiuçada, o destino financeiro de Daniel Vorcaro também se torna alvo de especulação. A expectativa é que, assim como a fortuna de Toffoli, a de Vorcaro também esteja em processo de investigação para se entender para onde foram os valores.
Curiosamente, os partidos PP e União Brasil, agora aliados em uma federação partidária, divulgaram uma nota pública em defesa de Toffoli, atacando o que consideram uma “injustiça” contra o ministro. A nota, assinada pelos presidentes Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (UB), ambos citados no escândalo Master, gerou estranheza, especialmente por ter sido divulgada em uma sexta-feira 13.
André Mendonça assume a relatoria em meio a sorteio polêmico
O foco das atenções agora se volta para o ministro André Mendonça, nomeado para o STF por Jair Bolsonaro e recém-sorteado para a relatoria do caso Master. Os sorteios no Supremo têm sido motivo de debate, com a percepção de que a escolha pode ocorrer por conveniência ou “por exclusão”, dadas as posições de outros ministros como Fachin, Carmen Lúcia, Alexandre de Moraes, Dino, Gilmar Mendes, Nunes Marques e Fux.
A escolha de Mendonça, discreto e respeitado por seus pares e pela PF, visa, segundo analistas, a dar mais credibilidade ao andamento do inquérito. A expectativa é que o caso entre nos eixos, mas a crise e as investigações sobre a fortuna de Toffoli e o destino do dinheiro de Vorcaro prometem continuar abalando o STF.
Descubra mais sobre MNegreiros.com
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
