Padre e Família Gil: Contradição em Defesas Gera Polêmica

Advogados da família Gil acusam padre de contradição em defesas

A família de Preta Gil, representada por seus advogados Layanne Piau e Fredie Didier, levantou suspeitas de contradição nas defesas do padre Danilo César. Segundo os representantes legais, após firmar um acordo com o Ministério Público Federal (MPF) na esfera criminal, onde teria assumido a culpa por conduta ilícita, o padre teria apresentado uma versão diferente em um processo cível por danos morais.

No âmbito criminal, o acordo de não persecução penal (ANPP) previa que o padre Danilo César participasse de ações de conscientização e, conforme a visão dos advogados da família Gil, confessasse a conduta ilícita. Contudo, na área cível, o padre teria afirmado que apenas expressava sua fé ao associar a morte da cantora Preta Gil a práticas de religiões de matriz africana.

Acordo criminal e defesa cível em xeque

A família Gil considera que essa divergência pode configurar uma quebra de decisão judicial, uma vez que o acordo criminal foi homologado por um juiz. Os advogados argumentam que, embora os processos tramitem em esferas distintas, cível e criminal, ambos se originam do mesmo fato, o que justificaria uma conexão entre eles. A defesa do padre, por outro lado, nega qualquer relação entre os processos, afirmando que o acordo com o MPF não implicou em assunção de culpa por crime.

“No ANPP do procedimento criminal, em momento algum o padre assumiu qualquer prática de crime, tampouco de dolo. Ele somente assumiu o que era público e notório: que proferiu aquelas falas que foram gravadas. O texto do ANPP é claro nesse sentido. Ademais, os objetos centrais do procedimento criminal e do processo civil são diferentes. De sorte que, em nosso entendimento, no processo civil, não há como se estabelecer relação entre ambos os procedimentos”, declarou o advogado Rodrigo Rabello, que defende o padre.

O caso de intolerância religiosa

O episódio que gerou a denúncia ocorreu em julho do ano passado, quando o padre Danilo César, durante uma homilia transmitida pela internet, citou a morte de Preta Gil e associou sua fé em religiões de matriz afro-indígena a sofrimento e morte. Ele questionou: “Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?”. As falas foram consideradas de cunho preconceituoso e de intolerância religiosa, levando a uma denúncia formal por parte da Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria.

Pontos do acordo com o MPF

O acordo firmado com o MPF incluiu diversas obrigações para o padre, como a leitura e produção de resenhas de obras sobre religiosidade e questões raciais, a participação em cursos sobre intolerância religiosa e o pagamento de R$ 4.863,00 à Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes. Além disso, o padre precisou participar de um ato inter-religioso, evento que contou com a presença remota de Gilberto Gil e outros familiares. O padre, contudo, não quis se pronunciar durante a cerimônia.


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