Padre e Família Gil: Entenda o processo de intolerância religiosa em andamento

Família Gil mantém processo contra padre por intolerância religiosa

A família de Preta Gil e Gilberto Gil segue com um processo de danos morais contra um padre acusado de intolerância religiosa. A ação tramita na 41ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro e está em fase de defesa do clérigo. O caso ganhou destaque após falas do padre em uma missa, onde ele associou a fé da cantora em religiões de matriz africana à sua morte por câncer, questionando a eficácia dos orixás.

Divergências entre os processos

A particularidade desta ação reside no fato de que, paralelamente ao processo cível, o padre firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público Federal (MPF). Nesse acordo, ele confessou conduta ilícita e se comprometeu a realizar leituras de obras de combate ao racismo religioso. No entanto, a defesa da família Gil alega que, na esfera cível, o padre não reconheceu responsabilidade, afirmando ter apenas expressado sua fé ao associar as práticas religiosas à morte de Preta Gil. Gilberto Gil busca, através do processo, o reconhecimento da conduta pelo padre.

Próximos passos na justiça

Atualmente, o processo cível encontra-se na fase de apresentação da defesa do padre. Em seguida, a família de Gilberto Gil terá a oportunidade de apresentar uma réplica, contestando os argumentos da defesa. A defesa do padre, por sua vez, sustenta que os processos não possuem relação e que o acordo com o MPF não implicou em assumir a prática de crime, apenas o reconhecimento das falas gravadas. Não há um prazo definido para a decisão judicial na área cível.

O polêmico discurso do padre

As declarações que motivaram a ação ocorreram em 27 de julho, durante uma missa transmitida pelo YouTube. O padre questionou: “Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?”. Ele também se referiu a religiões de matriz afro-indígenas como “coisas ocultas” e expressou desejo de que “o diabo levasse” quem as procurasse. As falas foram consideradas preconceituosas pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, que registrou boletim de ocorrência por intolerância religiosa.


Descubra mais sobre MNegreiros.com

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Comente a matéria:

Rolar para cima