Moraes arquiva investigação contra padre suspeito de integrar ‘núcleo jurídico’ da trama golpista
Investigação apurava participação em reunião no Palácio do Planalto
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou a investigação contra o padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da diocese de Osasco, na Grande São Paulo. O religioso era suspeito de integrar o ‘núcleo jurídico’ de uma suposta trama golpista em 2022 e foi alvo da Operação Tempus Veritatis da Polícia Federal em fevereiro de 2024.
A decisão de Moraes atendeu a um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que, a pedido da defesa do padre, se manifestou favoravelmente ao arquivamento. A Polícia Federal (PF) apontava que o religioso atuaria “no assessoramento e na elaboração de minutas de decretos com fundamentação jurídica e doutrinária que atendessem aos interesses golpistas do grupo investigado”.
A apuração da PF indicava que o padre teria participado de uma reunião em 19 de novembro de 2022 no Palácio do Planalto, onde a minuta golpista teria sido discutida. Durante a operação em fevereiro, Silva foi alvo de busca e apreensão e entregou seu celular, mas não forneceu as senhas, alegando sigilo sacerdotal.
Defesa alega inocência e destaca liberdade religiosa
A defesa do padre, representada pelo advogado Miguel da Costa Carvalho Vidigal, sempre sustentou que as visitas do religioso a Brasília “nunca tiveram caráter conspiratório”. Segundo a nota da defesa, essas visitas cumpriam o papel de um sacerdote, oferecendo atendimento e aconselhamento espiritual.
“Espera-se que a investigação contra o Padre José Eduardo tenha sido um ponto fora da curva do Estado Brasileiro e que as liberdades religiosas previstas na Constituição Federal e no Acordo Brasil – Santa Sé sejam garantidas pelo Poder Judiciário”, declarou a defesa, ressaltando que, se normas tivessem sido observadas, teriam sido evitadas “infindas e caluniosas mensagens e manifestações agressivas”.
PGR e STF confirmam arquivamento
Em seu parecer, a Procuradoria-Geral da República afirmou que “deixou de oferecer denúncia contra o investigado”, pois não havia elementos suficientes para comprovar a participação em atos ilícitos. A PGR considerou que o inquérito já se encontrava arquivado em relação ao requerente, pois não surgiram fatos novos que alterassem sua opinião.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, confirmou a manifestação da PGR, oficializando o encerramento da investigação. A defesa do padre destacou que o arquivamento formaliza a inocência do religioso quanto aos fatos investigados, pondo fim a um processo que consideraram “confuso e injustificado”.
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