Peixes mortos no Açude Velho: Comerciantes de Campina Grande sofrem com prejuízos e mau cheiro

Comerciantes de Campina Grande relatam queda drástica nas vendas devido à mortandade de peixes no Açude Velho.

A paisagem do Açude Velho, um dos principais cartões-postais de Campina Grande, foi drasticamente alterada pela morte de milhares de peixes, com mais de 10 toneladas já retiradas do local. A situação, que se agravou há cerca de uma semana, tem gerado um forte mau cheiro e impactado diretamente o comércio local. Comerciantes da região relatam prejuízos significativos, com uma queda de até 80% no movimento de clientes.

Emanuel, proprietário de um estabelecimento próximo ao açude, descreve o cenário como alarmante. “Estamos trabalhando por necessidade, mas tanto pela saúde dos clientes quanto pela nossa, o ideal era não abrir, por conta do mau cheiro e tudo que envolve ele”, afirma. Ele complementa que, embora o odor desagradável seja recorrente, a poluição atual é inédita, forçando a dedetização do local duas vezes por semana devido à proliferação de insetos.

Impacto financeiro e na qualidade de vida

Andreza Katia, que vende comidas às margens do açude, também sente os efeitos negativos. Seus clientes, antes frequentes, agora evitam o local devido ao odor insuportável. “Eles não aguentam por causa do odor, entendeu? Me prejudicou muito porque eu tenho funcionários pra pagar, eu tenho contas pra pagar”, lamenta Andreza, ressaltando a dificuldade em manter o negócio funcionando.

Apesar dos transtornos, Andreza reconhece o esforço dos mais de 60 funcionários da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) que trabalham incansavelmente na limpeza do açude desde o último domingo (11). “Eles não mediram esforços. Todos os dias estavam aí limpando, estavam preocupados com a gente também porque viram que a movimentação caiu, que não tinha cliente aqui”, disse a comerciante.

Investigações e medidas emergenciais

A situação do Açude Velho está sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Um inquérito foi aberto para apurar a possibilidade de crime ambiental. Perícias estão sendo realizadas, com amostras da água e de um peixe recolhidas para análise. O MPPB investiga, desde 11 de novembro, o despejo irregular de esgoto e a mortandade dos peixes.

A Prefeitura de Campina Grande, por meio da Sesuma e da Secretaria de Obras, discute ações emergenciais. Além da retirada dos peixes mortos, que são encaminhados para um aterro sanitário, a prefeitura pretende intensificar o uso de aeradores para oxigenar a água do açude. Museus próximos, como o Museu de Arte Popular da Paraíba, seguem funcionando, mas avaliam possíveis impactos no fluxo de visitantes.

Um problema recorrente e a esperança por soluções definitivas

A mortandade de peixes no Açude Velho não é um fenômeno novo, sendo frequentemente associada por especialistas a um processo de junção de fósforo e nitrogênio que leva ao sufocamento dos animais, especialmente nesta época do ano. No entanto, a coloração e o agravamento da situação atual geraram preocupação e transtornos inéditos.

Comerciantes e moradores da região anseiam por uma solução definitiva para o problema. “Eu espero que isso não aconteça mais, que as autoridades tomem providência porque querendo ou não não prejudica só a mim. É um impacto para o meio ambiente também”, finaliza Andreza, expressando o desejo de que o Açude Velho retorne à sua beleza natural e deixe de ser fonte de prejuízos e preocupação para a comunidade.


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