Piso com suásticas no Palácio da Redenção vira atração em João Pessoa

Piso com suásticas do Palácio da Redenção é exibido no Museu de João Pessoa

Uma peça de um antigo piso com suásticas, que outrora decorou o histórico Palácio da Redenção em João Pessoa, está agora em exibição no Museu da Cidade. A exposição tem gerado discussões sobre a importância de preservar e apresentar fatos históricos, mesmo aqueles que remetem a períodos sombrios como o nazismo.

Um pedaço da história exposto

O ladrilho em questão faz parte de um piso que foi instalado no Palácio da Redenção em 1937, durante o governo de Argemiro de Figueiredo, em um período de ascensão do regime nazista na Alemanha. Por quase seis décadas, as suásticas estamparam o chão do que era a sede oficial do governo da Paraíba.

O diretor do Museu da Cidade, Iam Dantas, justificou a exposição como uma “necessidade” para abordar um fato histórico relevante para a capital paraibana. “A pergunta deveria ser o oposto: por que não exibi-la? Esse evento faz parte da história da nossa cidade e é um fato que não pode ser apagado. É uma memória preservada em um objeto material”, explicou Dantas.

Decisão de retirada e debate sobre origem

Em 1995, o então governador Antônio Mariz ordenou a retirada das peças, afirmando que o Palácio “não poderia ser vitrine de nenhum pensamento ideológico”. Mariz, que faleceu sete meses após a decisão, sentia-se incomodado com os símbolos nazistas no caminho para seu gabinete.

Historiadores ainda debatem a origem exata dos símbolos. Uma das vertentes aponta para a influência de um arquiteto fascista italiano, Giovanni Gioia, na instalação das peças. Outros pesquisadores, como Loyvia Almeida, ressaltam que a suástica é um símbolo milenar com significados diversos antes de ser apropriada pelo nazismo, mas que, no contexto da época, a referência ao regime de Hitler é inegável.

Preservação e memória

Apesar da retirada em 1995, a promessa de expor o material em um museu, feita pelo ex-governador Antônio Mariz, agora se concretiza de forma parcial. Apenas um ladrilho está exposto no Museu da Cidade, enquanto as demais amostras estão guardadas no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep-PB), sem previsão de exibição.

A exposição busca, portanto, cumprir um papel educativo, permitindo que a população tenha contato com um fragmento da história paraibana, estimulando a reflexão sobre o passado e suas complexidades. O Palácio da Redenção, construído em 1586, passou por diversas transformações ao longo dos séculos, e a instalação dos pisos com suásticas representa um capítulo peculiar em sua longa trajetória.


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