Polícia Civil de PE admite ‘missão de inteligência’ sobre gestão de João Campos

Polícia Civil de Pernambuco admite ‘missão de inteligência’ sobre gestão João Campos

A Polícia Civil de Pernambuco admitiu a realização de uma ‘missão de inteligência’ que monitorou a gestão do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Em resposta à OAB de Pernambuco, o delegado-geral da corporação, Felipe Monteiro Costa, afirmou que ‘não houve ato de designação específico para investigação’. Segundo a instituição, a ação não foi vinculada a nenhuma diligência específica nem seguiu os procedimentos legais que antecedem a abertura de inquérito policial.

Apesar da negativa de investigação formal, o advogado Rafael Carneiro, que representa João Campos, classificou a ação como um ‘monitoramento clandestino, totalmente fora da lei’. A Polícia Civil informou ainda que não há autos formais, pois o trabalho atribuído aos agentes não gerou qualquer documentação oficial. A corporação assegurou que a ‘missão de inteligência’ foi encerrada sem confirmação de indícios de ilícitos.

OAB cobra esclarecimentos sobre suposta espionagem

O pedido de esclarecimentos à Polícia Civil partiu da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE). A entidade solicitou informações sobre o caso envolvendo o secretário municipal de Articulação Política e Social, Gustavo Queiroz Monteiro. Ele relatou ter sido seguido por policiais civis entre agosto e outubro de 2025, alegando que os agentes acompanharam seu veículo, trocaram mensagens em um grupo interno e instalaram um rastreador em seu carro sem autorização judicial.

A OAB enviou um ofício à Polícia Civil em 29 de janeiro e obteve resposta em 5 de fevereiro. No entanto, a entidade considerou a resposta insuficiente e enviou uma nova cobrança formal no dia 4 de março, afirmando que o ‘silêncio administrativo injustificado’ representa uma conduta omissiva incompatível com o Estado Democrático de Direito.

Atos ilegais e ‘pesca probatória’ no radar do STF

Para o advogado Rafael Carneiro, a corporação ‘reconhece que houve um monitoramento clandestino, totalmente fora da lei’. Ele acrescentou que ‘já existem indícios mais do que suficientes de abuso de autoridade e improbidade administrativa’ e que é preciso apurar os reais motivos da ‘arapongagem’ e quem deu a ordem para os atos ilegais.

As acusações de espionagem se tornam um novo capítulo nos atritos entre João Campos e a governadora Raquel Lyra (PSD), pré-candidata ao governo estadual. Paralelamente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, determinou que a Polícia Federal investigue um suposto monitoramento relatado pelo secretário Gustavo Monteiro, o que envolveria o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) em uma suposta ‘pescaria probatória’ com requisições genéricas e quebras de sigilo sem autorização judicial. Gilmar Mendes determinou o trancamento da investigação conduzida pelo Gaeco e o envio de ofício à Polícia Federal para analisar a possível prática de infrações penais.


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