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Um crânio de um metro e meio e sessenta dentes poderosos, capazes de rasgar carne e quebrar ossos – bastou isso para fazer do Tyrannosaurus rex um dos predadores mais imponentes que já caminhou sobre a Terra. Com um cabeção desses, quem precisa de braços decentes?
Cientistas britânicos podem ter descoberto a explicação por trás dos bracinhos curtos do T. Rex e de vários outros dinossauros carnívoros. Segundo um novo estudo publicado nessa quarta-feira (20), a característica pode estar ligada ao desenvolvimento de seus crânios fortes e robustos.
Os pesquisadores analisaram a anatomia de 82 espécies de terópodes, uma classe primariamente carnívora de dinossauros bípedes, e identificaram cinco grupos nos quais as patas dianteiras eram menos avantajadas que o restante do corpo.
O crescimento do corpo dos predadores, sozinho, não explica por que os braços se tornaram muito menores. Os novos achados sugerem que o principal fator ligado à presença de membros pequenos é a robustez do crânio.
Os cientistas sugerem que, ao longo da evolução, esses animais teriam se especializado em usar a cabeça para caçar, em detrimento de suas garras. O desenvolvimento de um crânio grande e uma mandíbula poderosa, segundo eles, também teria coincidido com o aumento no tamanho das presas.
“Essas adaptações frequentemente ocorreram em áreas com presas gigantescas. Tentar puxar e agarrar um saurópode de 30 metros de comprimento com as garras não era o ideal. Atacar e se prender à presa com as mandíbulas talvez fosse mais eficaz”, comenta Charlie Roger Scherer, principal autor do estudo, em nota. “A cabeça substituiu os braços como método de ataque.”
De acordo com o pesquisador, por mais que o estudo não consiga traçar uma relação de causa e efeito entre os dois fatores, o mais provável é que o fortalecimento do crânio tenha precedido a redução das garras. Do contrário, não faria sentido que esses predadores abandonassem seu principal mecanismo de defesa sem ter uma salvaguarda.
Para entender a relação entre os crânios e os bracinhos, os cientistas desenvolveram uma maneira de medir o quão robusto era o crânio de cada espécie. O cálculo levava em conta fatores como a proporção, a capacidade de movimento dos ossos, os dentes e a força da mordida.
Com base nas medições, o estudo identificou cinco grupos de dinossauros acometidos pelo braço curto: os tiranossaurídeos (grupo do T. Rex), os carcarodontossaurídeos, os megalossaurídeos, os ceratossaurídeos e os abelissaurídeos. Estes últimos incluem o Carnotauro, um predador chifrudo e imponente com bracinhos adoravelmente pequenos, menores ainda que os dos tiranossauros.
Segundo os cálculos dos pesquisadores, a espécie com o crânio mais robusto ainda era o T. Rex, seguido do Tyrannotitan e do Taurovenator, duas espécies descobertas na Argentina. Em quarto lugar, fica o Majungasaurus, que foi encontrado pela primeira vez em Madagascar.
Para os cientistas, uma espécie como o Majungasaurus é especialmente relevante justamente por ser relativamente pequena – com cerca de 1,6 toneladas, ela pesa apenas um quinto do T. Rex, mas tem braços tão curtos quanto. Para os autores, esses dinossauros são um exemplo de como o aumento no tamanho do corpo é algo secundário à redução dos braços. A ligação mais forte, como demonstram, é com o crânio.
[Por: Superinteressante]
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