O preço do café arábica atingiu seu nível mais alto desde 1977 no mercado internacional, impulsionado por problemas na cadeia de suprimentos e condições climáticas adversas, como secas e geadas que afetaram as principais regiões produtoras.
No Brasil, o Indicador Cepea/Esalq registrou R$ 2.159,48 por saca de 60 kg em dezembro , o que reflete a alta contínua observada ao longo do ano de 2024. O aumento é resultado da redução da oferta global e da crescente demanda em países como China e Índia, segundo o portal especializado Revista Cafeicultura.
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Na Bolsa de Nova York, o café arábica alcançou 332,30 centavos de dólar por libra-peso, um patamar elevado em comparação com anos anteriores. O cenário preocupa o mercado europeu, que alega ter reservas suficientes para poucas semanas.
O encarecimento da saca de café reflete diretamente nos preços para o consumidor final. Indústrias e torrefadoras repassaram os custos para o varejo, o que resultou em reajustes nos supermercados e padarias. Dados de mercado mostram que o preço médio do café moído aumentou entre 10% e 20% nos últimos meses.
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“Chafé” é escolha amarga para brasileiros
O café é um dos produtos que mais influenciam o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o que pressiona a inflação dentro do grupo de alimentos e bebidas e impacta o custo da cesta básica.
O aumento nos preços compromete o poder de compra das famílias, especialmente as de baixa renda. Consumidores relataram ao jornal O Estado de S.Paulo que decidiram trocar seu café preferido por outros mais baratos, ou reduzir a quantidade de pó para fazer o chamado “chafé”, um café mais fraco.

O representante comercial Abílio Rosa Neto, morador de Sorocaba (SP), destaca a importância de pesquisar os preços antes da compra. “No meu bairro, encontrei o mesmo café por R$ 23 (500 gramas) em um mercado e R$ 27 em outro”, conta. “Todos aumentaram bastante de preço, e a qualidade não é mais a mesma.”
Para contornar os altos custos, Abílio e sua família – composta por ele, a esposa e dois filhos – adotaram alternativas. No período da tarde, passaram a consumir chá de ervas, como hortelã e erva-doce, no lugar do café.
Além disso, a família decidiu reduzir a quantidade de pó no preparo, mantendo a mesma quantidade de água. “O café fica mais fraco, é o que chamamos de ‘chafé’”, explicou.
Para os primeiros meses de 2025, a tendência é que os preços do café permaneçam elevados. No entanto, caso as condições climáticas melhorem e a oferta global aumente, há possibilidade de estabilização gradual.
A expectativa é de uma safra maior no Brasil em 2025, o que pode contribuir para a redução dos preços, mas os efeitos para o consumidor só serão percebidos depois de um período de ajuste no mercado.
Leia também: “Agro sem burocracia”, reportagem de Artur Piva publicada na Edição 250 da Revista Oeste
[Revista Oeste]
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