Primeiro transplante cardíaco pediátrico da Paraíba: João Pedro recebe alta
Adolescente de 14 anos, que convivia com doença genética rara, deixa hospital após procedimento bem-sucedido pelo SUS.
Um marco na saúde paraibana
João Pedro Pereira, um garoto de 14 anos morador de Santana dos Garrotes, no Sertão paraibano, celebrou nesta sexta-feira (12) sua alta hospitalar, marcando um momento histórico para a saúde do estado. Ele foi o primeiro paciente pediátrico a receber um transplante cardíaco na Paraíba, um procedimento realizado com sucesso no dia 21 de novembro, inteiramente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
João Pedro enfrentava a displasia arritmogênica do ventrículo direito, uma doença genética que causa a infiltração de gordura no músculo cardíaco, podendo levar a arritmias graves e insuficiência cardíaca. A gravidade de sua condição exigiu uma intervenção rápida e especializada.
A jornada de superação e gratidão
Deixando o Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, onde foi operado e se recuperou, João Pedro foi recebido com aplausos e emoção por todos que acompanharam sua trajetória. Emocionado, o adolescente agradeceu aos familiares do doador: “Muito obrigado por vocês terem doado um coração de um parente de vocês. Muito obrigado mesmo, eu agradeço muito”.
A coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do hospital, Patrícia Monteiro, destacou a resiliência do jovem. “Ele é um verdadeiro exemplo de força, coragem e superação”, afirmou, expressando o orgulho de toda a equipe médica pelo progresso de João Pedro.
Desafios e a importância da doação de órgãos
A cardiologista Roberta Barreto, membro da equipe de transplantes, explicou que a doença genética de João Pedro se manifestou desde o nascimento, com complicações que se agravaram ao longo do tempo. “Ele nasceu com essa doença genética e desenvolveu complicações ao longo da vida. Ano passado, precisou implantar um cardiodesfibrilador por conta da arritmia, mas já sabíamos que, em algum momento, o transplante poderia ser necessário”, detalhou.
A urgência do caso mobilizou diferentes órgãos estaduais. O transporte de João Pedro até a Grande João Pessoa foi feito pelo Grupo de Resgate Aeromédico da Paraíba (Grame), utilizando uma aeronave do Corpo de Bombeiros. No dia seguinte, o coração, vindo do Hospital de Trauma de Campina Grande, foi transportado pelo Grupamento Tático Aéreo (GTA) da Polícia Militar, em uma operação conjunta inédita entre as Secretarias de Saúde e de Segurança.
O doador, um jovem de 30 anos, também permitiu que seus rins, fígado e córneas fossem doados, beneficiando pacientes em outros estados, como Pernambuco e Bahia. A mãe de João Pedro, Carla Pereira Barbosa, compartilhou a alegria e o alívio, especialmente por já ter enfrentado a perda de outro filho por problemas de saúde. “A batalha pela vida do filho começou desde a gravidez”, relatou, ressaltando os desafios enfrentados desde o início.
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