Queda de Maduro: Um Alívio Inesperado para a Campanha de Lula?

A complexa relação entre Brasil e Venezuela e seus reflexos na política interna

A reaproximação ensaiada pelo governo Lula com a Venezuela, após um período de distanciamento nos governos Temer e Bolsonaro, tem sido marcada por situações constrangedoras. A recepção calorosa e os elogios ao ditador Nicolás Maduro, seguidos pela oferta de ser fiador de eleições com resultados antecipadamente questionáveis, colocaram o Brasil em uma posição delicada. Agora, com a possibilidade de uma queda de Maduro, o cenário pode mudar, e não necessariamente de forma negativa para a campanha de Lula.

Menos Venezuela, mais foco no Brasil

Especialistas apontam que, se Delcy Rodríguez, como presidente interina, conseguir manter o poder em colaboração com os Estados Unidos sob a liderança de Trump, a atenção internacional sobre a Venezuela tende a diminuir. Essa diminuição da pressão externa pode ser um respiro para a campanha presidencial brasileira, permitindo que o foco retorne para as questões internas do Brasil. Essa mudança de cenário, longe de ser um problema, pode ser vista como a retirada de um “bode expiatório” que poderia ser explorado pela oposição.

Transição e novas relações diplomáticas

Caso ocorra um processo de transição política integral na Venezuela, é provável que o novo governo busque estabelecer boas relações com o Brasil. Apesar de Lula ter mantido distância da oposição venezuelana por anos, um novo governo em Caracas pode ver no Brasil um parceiro importante. Isso abriria caminho para uma normalização diplomática e comercial, que foi interrompida a partir de 2016 com os desdobramentos da Operação Lava Jato no campo internacional.

O fantasma da Lava Jato e as estratégias de defesa

A possibilidade de revelações bombásticas sobre as tramas entre o PT e o chavismo após uma eventual prisão de Maduro é real, mas especulativa no momento. O que se sabe é que os laços mais estreitos entre Brasil e Venezuela se estenderam até o início de 2016. Se houver novas informações, é mais provável que se refiram a esse período. A oposição certamente tentará reavivar a memória eleitoral sobre esses laços, enquanto o PT, por sua vez, deve se posicionar como vítima de conspirações envolvendo o bolsonarismo e os Estados Unidos, visando proteger a soberania nacional. A ameaça de interferência externa nas eleições brasileiras, por parte de Trump, já era uma preocupação latente, e uma ação militar contra o Brasil é vista como o cenário menos provável.


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