
A atividade física pode aliviar a dor da artrose e melhorar a mobilidade. Entenda quando é indicada e quais exercícios evitar.
Receber o diagnóstico de artrose costuma vir acompanhado de uma dúvida comum: será que ainda posso me exercitar? Muitas pessoas que sofrem com dor no joelho, no quadril ou na coluna associam atividade física a mais desgaste das articulações e consequentemente a piora do quadro clínico. Mas especialistas dizem que esse pensamento é equivocado e que a prática de exercícios físicos não só é permitida como pode fazer parte do tratamento da artrose, desde que respeite alguns critérios importantes.
Exercício faz parte do tratamento da artrose
O Dr. Marcos Cortelazo, especialista em joelho e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), explica que, apesar do mito de que a artrose impede a atividade física, o paciente pode e deve se exercitar, desde que haja a orientação de um profissional.
“As atividades físicas podem trazer benefícios como uma forma de tratamento não medicamentoso da artrose através das seguintes formas: redução da dor por meio da liberação de endorfinas, fortalecimento muscular que proporciona maior estabilidade e equilíbrio, melhora da função articular (preserva e mantém a mobilidade), melhora do equilíbrio e da coordenação (prevenindo quedas), controle do peso corporal, retardo na progressão da doença e melhora da qualidade de vida”, explica o especialista.
Ou seja, longe de “estragar” ainda mais a articulação, o exercício pode ajudar a aliviar sintomas e a preservar movimentos no dia a dia.
Por que fortalecer os músculos ajuda quem tem artrose?
Segundo o médico, o fortalecimento muscular tem papel central no controle da doença. Músculos mais fortes funcionam como uma proteção extra para as articulações, ajudando a absorver impactos e a reduzir a sobrecarga sobre a cartilagem.
O Dr. Marcos explica que a prática regular de exercícios melhora a circulação sanguínea e estimula a produção do líquido sinovial, substância essencial para a saúde articular.
“A cartilagem articular é nutrida exclusivamente pelo líquido sinovial dentro das articulações. É ela que protege os ossos do contato de uns com os outros, ou seja, permite a articulação entre dois ossos sem atrito de suas superfícies. Desta forma, ao realizarmos exercícios estamos estimulando o aumento da circulação sanguínea das articulações que permitem a produção de líquido sinovial, além de aumentar sua circulação. Este líquido se distribui, circula melhor por toda a articulação embebendo a cartilagem de forma a manter a sua hidratação. Com isso, ocorre uma melhora do poder de amortecimento da cartilagem, melhora da mobilidade e consequentemente menos dor e menor desgaste da cartilagem articular”, explica o Dr. Marcos.
Na prática, isso significa menos rigidez, menos dor e mais funcionalidade para quem convive com a artrose.
Todo mundo com artrose pode fazer atividade física?
De modo geral, sim, mas não de qualquer jeito. O especialista ressalta que quase todos os pacientes com artrose podem se beneficiar de algum tipo de exercício, porém a indicação deve ser individualizada.
“O importante é a indicação correta do tipo de atividade física e o momento certo para fazê-la. Existem contradições. Por exemplo, pacientes com artrose não devem praticar atividades de alto impacto, não devem praticar atividades quando estão em uma crise de dor ou de inchaço (derrame articular). Alguns graus de artrose muito avançados também podem contraindicar a prática de atividades físicas. O importante é procurar um médico ortopedista especialista que vai acompanhar o tratamento e indicar qual a melhor prática de exercícios e em qual momento este pode ser feito”, esclarece o ortopedista Dr. Marcos.
Em outras palavras, não existe uma regra única. O tipo de artrose, o grau do desgaste, a presença de dor ou inflamação e o histórico do paciente precisam ser considerados.
Quem tem artrose pode fazer academia?
Sim. A academia pode ser uma aliada, desde que os exercícios sejam bem escolhidos e acompanhados. Treinos com foco em fortalecimento muscular, cargas leves a moderadas e movimentos controlados costumam ser mais indicados do que atividades com impacto repetitivo.
Além disso, o acompanhamento profissional faz toda a diferença. “Importante evitar exercícios de alto impacto. O uso de calçados e roupas adequadas à prática das atividades específicas é importante, bem como ter constância e regularidade, além de uma atenção especial com a alimentação”, comenta o médico.
O Dr. Marcos reforça que o cuidado deve ser sempre personalizado. “É de fundamental importância ter um bom mapeamento do tipo de artrose que o paciente tem e se estabelecer um cuidado individualizado a cada paciente. Não se deve usar um único protocolo para todos os pacientes e a visão multidisciplinar sempre é fundamental”, finaliza o especialista.
O que levar em conta antes de começar?
Para quem tem artrose e deseja iniciar ou retomar a atividade física, alguns cuidados são essenciais: avaliação médica, orientação de um educador físico ou fisioterapeuta, respeito aos limites do corpo e atenção aos sinais de dor ou inchaço.
Com acompanhamento adequado, o movimento deixa de ser vilão e passa a ser parte do tratamento, ajudando a preservar a autonomia, a reduzir dores e a melhorar a qualidade de vida.
Fonte consultada: Dr. Marcos Cortelazo – Ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva do Hospital Albert Einstein e da Rede D’Or. Graduado em medicina e pós-graduado em ortopedia e traumatologia pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), da Sociedade Latino-americana de Artroscopia, Joelho e Esporte (SLARD) e da Sociedade Internacional de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Medicina do Esporte (ISAKOS). CRM 76316. Instagram: @dr.marcos_cortelazo
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