Reinserção em sistema foi ‘para incriminar Filipe Martins’, diz perito

[Editado por: Marcelo Negreiros]

O perito internacional em crimes cibernéticos Wanderson Castilho afirmou que o reaparecimento do nome de Filipe Martins no sistema de imigração dos Estados Unidos é resultado de uma ação deliberada. “Para mim, não tenho dúvidas: foi uma ação criminosa com o objetivo, exatamente, de incriminar Filipe Martins”, declarou Castilho em entrevista a Oeste.

Martins, ex-assessor da Presidência da República, foi preso com base em um suposto histórico de viagem aos EUA. A defesa nega a autenticidade do documento e ressalta que o passaporte utilizado está cancelado desde 2021, a grafia do nome está incorreta e o visto apresentado não condiz com o originalmente concedido.

Castilho vê apenas duas possibilidades técnicas para o reaparecimento do registro: “A primeira: se existe uma vulnerabilidade no sistema, alguém explorou essa vulnerabilidade e fez essas alterações”, destaca. “Ou a segunda: existe alguém, algum usuário dentro do sistema, que tem as suas permissões de fazer esta inserção.”

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Ele descarta a hipótese de falha técnica. “A possibilidade de um bug é praticamente zero”, avaliou. “O sistema norte-americano de imigração já tem isso há décadas, e prevê exatamente nas atualizações que esse tipo de coisa não aconteça. Aí um bug aconteceu exatamente em cima de uma pessoa que está no holofote. A chance é zero.”

Para o perito, os erros encontrados no registro reforçam a conclusão de manipulação manual. “O bug é tão idiota que ainda errou a grafia”, brincou, em referência à troca da letra “I” por “E” no nome do ex-assessor.

Segundo ele, uma invasão bem-sucedida desse tipo requer capacidade técnica avançada e acesso privilegiado. “Normalmente, uma invasão que eu considero com sucesso é aquela invasão de você explorar o sistema sem ser detectado e ainda apagar os seus registros”, afirmou. “Se ele chegou a este nível, com certeza ele estava com autorização de apagar rastros.”

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Caminhos para identificar quem manipulou o registro de Filipe Martins

Perguntado se seria possível identificar o responsável pela alteração, Castilho respondeu que a investigação precisa determinar a metodologia usada. Ele explicou que há dois caminhos possíveis: o uso indevido de credenciais legítimas obtidas por ataques como phishing, ou o acesso direto por alguém com privilégios internos.

“Pode ter sido uma metodologia de ter enviado um phishing e ter pego, sim, a senha de um dos funcionários e ter usado ela”, avaliou. “Tem outras que pessoas bem capacitadas, descobrindo vulnerabilidades, que foram escalando acessos em cima do sistema até chegar neste ponto.”

Alexandre de Moraes, durante sessão da 1ª Turma do STF - 11/02/2025Alexandre de Moraes, durante sessão da 1ª Turma do STF - 11/02/2025
Moraes é o ministro responsável por julgar o caso de Filipe Martins | Foto: Foto: Gustavo Moreno/STF

No caso de um agente interno, o rastreamento da ação pode ser dificultado. “Normalmente a pessoa não vai usar o seu próprio nome”, destacou. “Acabou chegando pelo IP, fazendo uma outra investigação. Então tende a ser pego de uma outra pessoa e ter usado isso.”

Ao final da entrevista, Castilho reiterou sua convicção: “Se já está comprovado, já estava dito pela própria instituição, que ele não tinha entrado ali e reaparece isso, é sem dúvida intencional e criminosa.”

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[Oeste]

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