Simone Tebet em SP: A aposta do PT contra o “voto Lularcísio”

A complexa disputa pelo Palácio dos Bandeirantes

A possibilidade de Simone Tebet (MDB) disputar o governo de São Paulo surge como uma estratégia audaciosa do PT e de Lula para o Estado. O plano se baseia na dificuldade histórica do PT em vencer em São Paulo, estado com o maior colégio eleitoral do país, e na necessidade de criar um palanque forte para desafiar Tarcísio de Freitas (Republicanos) e, idealmente, levar a disputa ao segundo turno.

O histórico de desafios do PT em São Paulo

A trajetória eleitoral do PT em São Paulo é marcada por reveses. O partido nunca conquistou o governo estadual, e apenas duas vezes conseguiu chegar ao segundo turno: em 2002, com José Genoino, e em 2022, com Fernando Haddad. Em 2022, Haddad obteve 35,7% dos votos no primeiro turno e 44,73% no segundo, um desempenho que o PT busca ao menos repetir este ano. A meta é crucial para impedir que a oposição amplie sua vantagem nacionalmente, como ocorreu em 2022, quando Lula ficou dez pontos atrás de Bolsonaro em São Paulo no segundo turno, uma diferença que, segundo avaliações, foi decisiva para a vitória apertada no país.

O fenômeno “Lularcísio” e a força de Tarcísio

Um dos maiores receios do PT em São Paulo é o chamado “voto Lularcísio”, onde eleitores votariam em Lula para presidente e em Tarcísio para governador. Uma pesquisa do Instituto Travessia em dezembro passado apontou que 30,4% dos eleitores que aprovam o governo Lula também avaliam positivamente a gestão de Tarcísio. Por outro lado, 20% dos que aprovam o governador paulista fazem uma avaliação favorável do presidente. Essa sobreposição de eleitorados, segundo Renato Dorgan, especialista em pesquisas eleitorais e CEO do Travessia, indica que “Tarcísio pode surfar nos votos de Lula”. Atualmente, Tarcísio goza de alta aprovação, cerca de 60%, e não enfrenta a barreira do desconhecimento, ao contrário de 2022, quando Rodrigo Garcia fragmentou o eleitorado de direita.

Simone Tebet como “fator surpresa” versus a aposta em Haddad

Pesquisas internas indicam que Simone Tebet poderia ser um “fator surpresa” na disputa paulista, com seu perfil de centro e o ineditismo de uma mulher no comando do estado. Um aliado de Tarcísio avalia que Tebet seria uma adversária mais difícil do que Haddad ou Geraldo Alckmin. No entanto, dentro do PT, a preferência ainda recai sobre Haddad, especialmente entre os dirigentes nacionais, que o veem como o mais preparado para defender o governo Lula no estado. Felipe Soutello, consultor e estrategista, aponta o desafio do PT em montar uma chapa que supere a rejeição histórica e o teto de votos no estado. A falta de prefeituras importantes, com o PT conquistando apenas quatro em 2020, agrava a situação, contrastando com o passado onde o partido tinha força em cidades como São José dos Campos e Campinas, e a capital era governada por Marta Suplicy.


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