A Cúpula do STF e a Sensação de Injustiça Após o Caso Master
Mesmo com as descobertas sobre conflitos de interesse e questionamentos sobre a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente no que tange ao caso do Banco Master, parte da cúpula da Justiça se manifesta sentindo-se injustiçada. Essa percepção se tornou evidente em declarações e reações públicas, que buscam defender a imagem da Corte e de seus integrantes.
Reações e Defesas em Meio à Crise de Confiança
Um exemplo marcante dessa postura ocorreu quando o ministro Gilmar Mendes, durante uma homenagem ao colega Alexandre de Moraes, expressou emoção, atribuindo a Moraes um “ânimo inquebrantável” para enfrentar “tantas tribulações”. A fala de Mendes pintou Moraes como uma figura incompreendida, cujo sacrifício pelo país talvez só seja reconhecido por futuras gerações, sugerindo uma certa ingratidão da sociedade brasileira.
Essa necessidade de defender colegas, a imagem da corte ou a si próprios não é um fenômeno recente. Em fevereiro de 2025, o então ministro Luís Roberto Barroso já havia reclamado de uma “furiosa obsessão negativa” quando ocorriam “acidentes”. Essa forma de descrever os fatos, como se fossem incidentes triviais, contrasta com a gravidade das questões levantadas.
A Ética Seletiva e a Distância da Percepção Pública
O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, afirmou no início de fevereiro que nenhuma carreira pública possui tantas vedações quanto a magistratura. Ele classificou os “críticos de plantão” como agindo de “má-fé” ao apontar o dedo para a corte. Dias Toffoli endossou Moraes, defendendo o direito de juízes receberem dividendos de empresas das quais são sócios.
No entanto, a pesquisa AtlasIntel/Estadão revela que 60% da população não confia no STF, o que representa o mais alto índice da série histórica iniciada em janeiro de 2023. Esse descontentamento não se restringe à questão dos dividendos, mas sim às relações diretas e indiretas, fora dos autos, com o dono do Banco Master e seu entorno, além das diversas decisões monocráticas polêmicas emitidas pelo tribunal.
As reclamações dos ministros parecem embutir a ideia de que a sociedade exige deles um padrão excessivo. Eles reivindicam um tratamento similar ao de outros servidores públicos no que diz respeito ao escrutínio, mas sem limitar seus poderes supremos, que carecem de controle externo. Essa é uma ética seletiva.
Eles tentam convencer a opinião pública de que, se uma conduta não é estritamente ilegal, torna-se perfeitamente aceitável. Exemplos disso incluem a atuação de esposas e filhos advogados prestando serviços milionários a clientes com interesses na corte, desde que não haja provas concretas de favorecimento. Contudo, a máxima de Immanuel Kant, “Age de tal forma que a norma de tua conduta possa ser tomada como lei universal”, ressalta que a ética do dever vai além da legalidade. É preciso ser visivelmente imparcial para o público, algo que os ministros do STF, ao ignorarem essa premissa, parecem se sentir injustiçados por não serem compreendidos.
Descubra mais sobre MNegreiros.com
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
