STJ Irritado: Ministro Buzzi em Silêncio Gera Crise Após Denúncia

Bastidores da Irritação no STJ

Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) demonstraram irritação com a demora em serem informados sobre as sérias acusações de supostos crimes sexuais contra o colega Marco Buzzi. Segundo relatos de magistrados, Buzzi teria optado pelo silêncio até que a denúncia viesse à tona na imprensa na última semana.

A cúpula do STJ e demais integrantes da Corte só tomaram conhecimento do caso através da mídia, aproximadamente um mês após o episódio ocorrido em 9 de janeiro. A denúncia, formalizada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no próprio STJ, detalha que o ministro teria tentado agarrar à força uma jovem de 18 anos, filha de amigos que passavam férias em um imóvel de Buzzi em Balneário Camboriú (SC). O ministro nega as acusações.

Silêncio que Prejudicou a Instituição

Interlocutores do tribunal apontam que Buzzi poderia ter comunicado a situação aos seus pares. Essa comunicação prévia não só teria permitido que o STJ se precavisse de uma potencial crise institucional, mas também possibilitaria que o próprio ministro tomasse medidas preventivas, como solicitar licença ou afastamento antes da exposição pública.

A falta de transparência gerou um clima de apreensão e descontentamento entre os ministros, que se viram pegos de surpresa pela repercussão do caso.

Decisão do Plenário e Próximos Passos

Em uma sessão secreta realizada na quarta-feira, 10, o plenário do STJ decidiu por unanimidade o afastamento temporário de Marco Buzzi do cargo. O pleno voltará a se reunir no dia 10 para deliberar sobre a possibilidade de aposentadoria compulsória do ministro.

A sindicância aberta no STJ é um processo administrativo que pode culminar na aposentadoria compulsória, um desfecho que já é cogitado por colegas. Paralelamente, o caso segue em apuração no CNJ e um boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de São Paulo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro competente para julgar ministros de cortes superiores. Em caso de condenação, Buzzi pode enfrentar prisão.

A avaliação predominante entre pessoas próximas ao caso é que Buzzi perdeu as condições de seguir no posto. A tendência é que a decisão final já esteja praticamente selada internamente, com a aposentadoria antecipada sendo vista como a melhor saída para evitar um processo mais desgastante.

A defesa de Marco Buzzi, representada pelos advogados João Costa, João Pedro Mello e Maria Fernanda Saad, afirma que ele “não cometeu qualquer ato impróprio” e critica “vazamentos instantâneos de informações sigilosas sobre fatos não verificados”.


Descubra mais sobre MNegreiros.com

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Comente a matéria:

Rolar para cima