Saúde

Governo de SP diz que hospital da Unifesp ‘foi esquecido’ por governo federal e libera recursos para evitar colapso


Gestão de Rodrigo Garcia repassa R$ 58 milhões para a unidade de saúde, R$ 50 mi para custeio de despesas e R$ 8 mi para a reforma do pronto-socorro

JOÃO ALVAREZ/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Rodrigo Garcia
Governador do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB)

Em evento no Hospital São Paulo, o governador Rodrigo Garcia (PSDB) anunciou o repasse de R$ 58 milhões para a unidade de saúde já neste mês de abril. Ele assinou o envio do recurso ao lado de deputados e gestores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Do montante disponibilizado, R$ 50 milhões vão para o custeio e R$ 8 milhões para a reforma do pronto-socorro, que começará nas próximas semanas e deve durar quatro meses. O secretário de Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, esteve no evento e afirmou que a tabela SUS da unidade de saúde está defasada há 30 anos. Ele ainda falou que a instituição foi esquecida pelo governo federal. “Infelizmente, nós não podemos atualizar a tabela SUS, que também está defasada há 20 anos. Uma tabela que um procedimento cirúrgico, hoje, ele custa 100% a mais, porque o governo federal esqueceu que aqui é um hospital que cuida de gente. E de gente pobre. E de gente que mais precisa”, declarou.

O Hospital São Paulo atende por ano cerca de 5 milhões de pessoas e é um polo de saúde extremamente importante, não só para a capital paulista, mas para todo o Estado de São Paulo. A dívida da unidade de saúde atualmente é de R$ 450 milhões e os gastos mensalmente é de R$30 milhões. Garcia sabe que a verba não é o suficiente para arcar com as despesas do hospital. “Eu sei que isso não é suficiente do ponto de vista estrutural para o hospital a partir do ano que vem. Nós vamos estar à disposição para estruturar cada vez mais o Hospital São Paulo, para que ele continue sendo esse centro de excelência na assistência, na pesquisa e também no ensino”, comentou. Único hospital federal de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital paulista, o Hospital São Paulo acumula falta de repasse de verbas federais. Diante das dificuldades financeiras, passou por uma recente demissão em massa, com um corte de 300 funcionários. Para não fechar as portas, a unidade de saúde tem se mantido com financiamentos extraestaduais.

O superintendente do hospital, Nacime Salomão Mansur, avalia que o dinheiro vai trazer fluxo de caisa. “O hospital estava gastando muito do seu recurso com folha e com sua dívida. O repasse que o governador Rodrigo Garcia fez salva o hospital, no sentido de dar um caixa, dar a possibilidade de nós irmos superando e conseguirmos fazer as readequações que continuaremos fazendo, seja ela do ponto de vista estruturante, seja do ponto de vista das medidas administrativas, seja de folha”, comentou. O hospital tem capacidade para 800 leitos, no entanto, atualmente só consegue utilizar a metade.

*Com informações da repórter Camila Yunes



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Brasil registra 30,3 milhões de casos e 662,5 mil mortes

Noventa e duas pessoas morreram, nas últimas 24 horas, em decorrência da covid-19. Com isso, chega a 662.506 mil o número de pessoas mortas pela doença.

De acordo com boletim divulgado nesta noite pelo Ministério da Saúde, foram confirmados mais 18.660 casos da doença entre ontem (20) e hoje (21), totalizando 30.330.629 pessoas que tiveram resultado positivo ao fazer exame para identificar o novo coronavírus.

O número de pessoas em acompanhamento está em 314.725. O termo é usado para designar casos notificados da doença nos últimos 14 dias em que o paciente não teve alta, nem evoluiu para morte.

Segundo o Ministério da Saúde, 29.353.398 pessoas recuperaram-se da doença, o que representa 96,8% do total de casos confirmados. Há ainda 3.126 óbitos em investigação, o que ocorre nos casos em que o paciente faleceu, mas a investigação sobre a causa do óbito ainda demanda exames e procedimentos posteriores.

covid-19

covid-19 – 21/04/2022/Divulgação/ Ministério da Saúde

Vacinação

Até o momento, o Ministério da Saúde contabiliza a aplicação de 410,7 milhões de doses de vacinas contra a covid-19. Deste total, 174,4 milhões correspondem à primeiras dose, 153,7 milhões à segunda dose; e 4,83 milhões a doses únicas.

Foram aplicadas 73,58 milhões de doses de reforço; e 1 milhão de segundas doses de reforço. Ainda segundo o ministério, 3,16 milhões de doses adicionais foram aplicadas.

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Espiritualidade, exercício e café: o que os especialistas aconselham para o coração | Blog Longevidade: modo de usar


Em se tratando de coração, qualquer novidade é consumida com avidez, por isso aproveito para escrever sobre quatro estudos recém-divulgados. O primeiro trata de um tema que ganha cada vez mais espaço nos congressos médicos: a espiritualidade, associada à descoberta de um significado e propósito para a existência, mas sem estar necessariamente vinculada a qualquer religião. Pacientes com insuficiência cardíaca enfrentam sintomas como falta de ar (dispneia), dor no peito, fadiga, dificuldade para dormir, ansiedade e depressão, que limitam suas atividades físicas e sociais. Para Rachel Tobin, médica do Duke University Hospital, “diferentemente de outras doenças crônicas, trata-se de uma condição que pode levar ao isolamento e à desesperança”. Ela é um dos pesquisadores que fizeram uma revisão de 47 artigos e constataram que o bem-estar espiritual havia trazido uma significativa melhora na qualidade de vida desses indivíduos.

Espiritualidade: bem-estar espiritual traz melhora na qualidade de vida dos pacientes — Foto: Devanath para Pixabay

A reboque, emendo com o segundo estudo, sobre como a atividade física ajuda a ativar partes do cérebro que se contrapõem ao estresse. Dessa forma, exercitar-se é ainda mais vantajoso para as pessoas que sofrem de ansiedade e depressão. A pesquisa apontou que indivíduos que praticavam exercícios com regularidade tinham um risco 17% menor de sofrer um evento cardiovascular de grandes proporções. Esse benefício se ampliava, e chegava à diminuição de risco de 22%, para quem tinha lidava com um quadro de ansiedade e depressão.

Na linha de frente da inteligência artificial, trabalho apresentado na 71ª. Sessão Científica do Colégio Americano de Cardiologia mostrou que um programa de computador, baseado em algoritmos, conseguia prever a probabilidade de uma pessoa sofrer problemas cardiovasculares devido ao entupimento de artérias baseado no seu registro de voz. Os pesquisadores recrutaram 108 participantes e cada um deles enviou três gravações de 30 segundos: a primeira era a leitura de um texto; na segunda, se falava livremente sobre uma experiência positiva; e a terceira era também um discurso livre, mas sobre uma experiência negativa. O aplicativo Vocalis Health é capaz de analisar 80 características das amostras, sendo que seis delas estão relacionadas com doença cardiovascular. Um terço dos pacientes exibiu pontuação alta, de maior risco; dois terços, uma pontuação baixa. O grupo foi monitorado por dois anos e, entre os que tinham sido apontados como de risco, 58.3% tiveram algum tipo de evento cardiovascular. A tecnologia ainda não está disponível para uso clínico, mas tem enorme potencial na telemedicina. “Estratégias não invasivas e que possam ser utilizadas remotamente ganharam importância durante a pandemia”, afirmou Jaskanwal Deep Singh Sara, cardiologista da Mayo Clinic. “Enviar uma amostra de voz é algo simples e até divertido, além de permitir aos médicos aperfeiçoar o monitoramento dos pacientes”, acrescentou.

Café: duas ou três xícaras por dia estão associadas a uma chance menor de doença cardiovascular ou arritmias — Foto: Engin Akyurt para Pixabay

Para encerrar, uma boa notícia para os amantes de café: duas ou três xícaras por dia estão associadas a uma chance menor de doença cardiovascular ou arritmias. “Como o café pode acelerar os batimentos cardíacos, algumas pessoas se preocupam que a bebida pode ser um gatilho ou piorar uma condição cardíaca, mas nossos dados sugerem que o consumo diário de café não deveria ser desencorajado, e sim fazer parte da dieta de indivíduos com ou sem doença cardiovascular”, disse o médico Peter Kistler, professor do Baker Heart Institute, na Austrália. Seu time utilizou as informações do UK BioBank, com dados de 500 mil britânicos que foram acompanhadas por pelo menos dez anos, e mapeou a relação entre a ingestão de café (de uma a seis xícaras diárias) e arritmias, insuficiência cardíaca e derrames.

No primeiro levantamento, os pesquisadores examinaram dados de mais de 382 mil pessoas sem diagnóstico de problemas cardíacos para ver se beber café representaria algum perigo nos dez anos de monitoramento da sua saúde. Os participantes tinham, em média, 57 anos, e metade era composta de mulheres. Nesse grupo, beber de duas a três xícaras de café estava associado à diminuição de risco de 10% a 15% de doenças do coração. O segundo estudo incluiu 34 mil indivíduos com algum tipo de distúrbio cardíaco e o consumo da mesma quantidade de café também estava atrelado a menores chances de complicações.



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Governo anuncia fim da emergência sanitária por covid-19 no país

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez pronunciamento neste domingo

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou em pronunciamento de rádio e TV, na noite deste domingo (17), o fim da emergência de saúde pública em decorrência da pandemia. Segundo o ministro, o anúncio foi possível por causa da melhora do cenário epidemiológico, da ampla cobertura vacinal e da capacidade de assistência do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ainda segundo o ministro, nos próximos dias será editado um ato normativo sobre a decisão. Queiroga afirmou que a medida não significa o fim da covid-19. “Continuaremos convivendo com o vírus. O Ministério da Saúde permanece vigilante e preparado para adotar todas as ações necessárias para garantir a saúde dos brasileiros, em total respeito à Constituição Federal.”

Vacinação

No pronunciamento, o ministro falou que o país realizou a maior campanha de vacinação de sua história, com a distribuição de mais de 476 milhões de doses de vacina. Foi ressaltado que mais de 73% dos brasileiros já completaram o esquema vacinal contra a covid-19 e 71 milhões receberam a dose de reforço. 

O ministro também destacou os investimentos feitos na área nos últimos dois anos. “O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, fortaleceu o SUS, com a expansão da capacidade de vigilância, ampliação na atenção primária e especializada à saúde. Foram mais de R$ 100 bilhões destinados exclusivamente para o combate à pandemia, além dos mais de R$ 492 bilhões para o financiamento regular da saúde desde 2020”, disse Queiroga.

Emergência sanitária 

O Brasil identificou a primeira contaminação pelo novo coronavírus no final de fevereiro de 2020, enquanto a Europa já registrava centenas de casos de covid-19. No dia 3 de fevereiro de 2020 o ministério declarou a covid-19 como uma emergência de saúde pública de importância nacional..

A declaração de transmissão comunitária no país veio em março, mês em que também foi registrada a primeira morte pela doença no país. Segundo último balanço, divulgado pelo Ministério da Saúde neste domingo, o Brasil registrou, desde o início da pandemia, 5.337.459 casos de covid-19 e 661.960 mortes. Há 29.227.051 pessoas que se recuperaram da doença, o que representa 96,6% dos infectados. Há ainda 363.607 casos em acompanhamento.

Edição: Bruna Saniele para Agência Brasil

Péssima surpresa! A bebida que está sendo associada ao câncer

E é adorada por muitos de nós.

Um grupo de investigadores encontrou uma forte associação entre os sucos de fruta e o risco de câncer, sobretudo de mama, de próstata, do cólon e reto.

O estudo, publicado na revista científica British Medical Journal, envolveu a participação de 101.257 pessoas, com uma média de idades de 42 anos. O estado de saúde dos participantes foi acompanhado durante praticamente uma década. Os voluntários responderam ainda a um inquérito online sobre o consumo de 3300 tipos de alimentos e bebidas.

Os cientistas, do Centro de Investigação Epidemiológica e Estatística Sorbonne Paris Cité, em França, verificaram que o aumento do risco de câncer estava “significativamente associado” ao consumo de sucos 100% de fruta sem adição de açúcar. Por outro lado, não encontraram quaisquer ligações entre a ingestão de refrigerantes com adoçantes e o risco de desenvolvimento de doenças oncológicas. 

Ainda assim, os investigadores pedem que não sejam retiradas conclusões precipitadas e reforçam a necessidade de mais estudos.

Felipe Neto, que está doente em Paris, tenta voo privado de volta e exalta o SUS: ‘Valorizem o Brasil’

Felipe Neto, que atualmente encontra-se doente em Paris, na França, usou seu Instagram nessa sexta-feira para falar sobre a dificuldade em se tratar durante a viagem e os desafios de ser atendido fora do país. Apesar de ter todos os sintomas de Covid-19, o youtuber testou negativo para a doença. Agora, ele tenta fretar um voo privado de emergência para voltar ao Brasil.

“Quero deixar aqui registrada a importância da vacina. Se com as 3 doses eu estou nesse estado, imagina o que teria acontecido se eu não tivesse nenhuma. Obrigado, ciência!”, chegou a postar ele quando acreditava estar infectado pela Covid-19.

“Não estou melhor. Torçam por mim. Estou tentando um voo privado pra voltar ao Brasil. A situação aqui na França é uma lástima. Os hospitais privados são ruins, os públicos você fica horas e horas pra fazer uma consulta simples. Os remédios disponíveis são péssimos, até dipirona é proibida aqui! Quero minha casa”, lamentou ele.

“Eu e Bruno continuamos dando negativo pra Covid. A Sam continua dando positivo, mas agora está quase sem sintoma, só com tosse. Estamos com a suspeita de que eu peguei Influenza, não Covid”, afirmou.

“Mas nesse país, com esse sistema de saúde, vai ser impossível descobrir. A única forma de voltarmos pro Brasil é com vôo privado, jamais deixaria a Sam aqui. Estou tentando um. Valorizem o Brasil. Já precisei de médico nos EUA e agora em Paris. E vi de perto a desgraça de precisar de atendimento em Londres. Repito: valorizem o Brasil”, finalizou.

Por Isto É

Dia Mundial de Conscientização do Autismo alerta para a importância de combater o preconceito

O dia 2 de abril é reservado para a sociedade conhecer melhor o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

A data de 2 de abril foi reservada para o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A ideia é sensibilizar a sociedade sobre o tema e combater o preconceito contra essas pessoas, que não possuem uma doença e, sim, um transtorno do neurodesenvolvimento que prejudica a comunicação verbal e não verbal do paciente. 

Ainda há muito preconceito em relação ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). E tanto os pais de crianças autistas quanto os profissionais especializados no tema são taxativos: quanto mais a sociedade souber sobre o assunto, mais o paciente terá conforto em meio à sociedade, um maior desenvolvimento e uma melhor integração.

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Tainá Andrade Paiva, mãe de Daniel, 9 anos, percebeu que o filho apresentava comportamentos suspeitos entre o quarto e sétimo mês de vida, como não sentar, por exemplo. Ao consultar uma neurologista, confirmou que ele tinha um atraso neuropsicomotor. “Foram meses, anos de exames e mais exames e nenhum deles mostrou nada. E nesse tempo ele continuou fazendo as terapias. Com cinco anos, foi fechado o diagnóstico de autismo, que é um diagnóstico clínico, pois não há exame que mostre isso”, conta Tainá.

A mãe de Daniel explica que tanto os pais de crianças autistas quanto o restante da sociedade precisam se inteirar melhor sobre o tema, uma vez que essas crianças têm justamente problemas de comunicação e interação, necessitando do apoio de todos ao redor.  

“Quanto mais a gente falar sobre isso, mais conhecido vai ser e deixa de ser um tabu para muitas pessoas. Hoje, infelizmente, para os dois lados, tanto para os pais que têm crianças com autismo, muitas vezes não aceitam e acabam muitas vezes escondendo, porque o filho dá trabalho, não sai de casa. E da mesma forma para a sociedade entender que isso está cada vez mais normal, cada vez mais comum. Quanto menos preconceito, quanto mais se falar disso, mais fácil para as crianças evoluírem”, destaca Tainá.

Como o TEA não é identificado por exames, muitas vezes o diagnóstico é complicado e demorado, necessitando uma equipe multidisciplinar para confirmar o transtorno, como neurologistas, psiquiatras, psicólogos e fonoaudiólogos. Os pais que perceberem sinais característicos dessa condição devem procurar atendimento.

No diagnóstico é detectado se o paciente possui características que envolvam prejuízos na interação social, na linguagem ou comunicação, e se há padrões repetitivos de comportamento. A orientação é para que os pais, professores e responsáveis procurem auxílio médico quando há os seguintes sinais:

  • Pouco contato visual
  • Não interagir com outras pessoas
  • Bebês não imitam comportamento adulto.
  • Não atender quando chamado pelo nome
  • Falta de interesse em brincadeiras coletivas
  • Atraso na fala
  • Ausência de gestos para se comunicar (como apontar)
  • Não brinca de faz de conta
  • Movimentos estereotipados e incomuns.

 
Segundo Rita Tiagor Campos, neuropediatra do Instituto Jô Clemente, que atua na defesa e garantia de direitos das pessoas com deficiência intelectual, além desses fatores os pais e responsáveis devem observar comportamentos sensoriais incomuns na criança, como se incomodar com barulhos e não gostar de carinho.

“A criança autista muitas vezes tem uma dificuldade sensorial. Ela se incomoda excessivamente com barulho, ela não tolera muito o toque, seleciona os alimentos com base no cheiro, com base na textura, e isso acaba dificultando ainda mais a interação. No caso de a criança apresentar esses sinais, vale a pena conversar com um pediatra, buscar uma avaliação para que a gente possa avaliar se isso está causando algum transtorno do espectro autista”, explica a especialista.

Não há medicação para o TEA, mas há casos em que são necessárias medicações para controlar quadros associados ao autismo, como insônia, hiperatividade, impulsividade, irritabilidade, atitudes agressivas, falta de atenção, ansiedade, depressão, sintomas obsessivos, raiva e comportamentos repetitivos.

Fonte: Brasil 61

MPF defende que estados e municípios sejam obrigados a garantir boas condições de saúde à população carcerária

Posicionamento do órgão ministerial foi em recurso do estado e do município do Rio de Janeiro contra ação do MP Estadual

Não existe nenhuma dúvida quanto à responsabilidade do Estado pela guarda e segurança das pessoas submetidas a encarceramento, garantindo a elas, inclusive, o devido acesso à saúde. Esse foi o entendimento defendido pelo Ministério Público Federal (MPF) diante da pretensão do estado e do município do Rio de Janeiro de invalidar decisão judicial que os sentenciou a sanarem as precariedades do serviço de saúde das populações carcerárias. A manifestação do órgão ministerial ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi na análise do Recurso Extraordinário (RE) 1.362.892, que tem origem em ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

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Na ação, o MPRJ buscou garantir na Justiça que os entes federados melhorassem a qualidade do serviço de regulação de saúde prisional. As medidas consistiam em promover encaminhamento eficaz de presos para vagas de atendimento nas unidades de saúde prisional (dentro do sistema prisional) e nas unidades de saúde do SUS (hospitais e UPAs municipais e estaduais). No acórdão recorrido, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) considerou como “dever constitucional dos réus” a contribuição para a preservação da saúde e da vida de toda a população de modo igualitário e universal.

Segundo o parecer do MPF, a intenção dos entes federados encontra obstáculos, que impedem a procedência do recurso extraordinário, tanto na jurisprudência do Supremo Tribunal quanto na própria Constituição. O documento destaca que em outras ocasiões, a Corte “já decidiu ser lícito ao Judiciário impor à Administração Pública obrigação de fazer, consistente na promoção de medidas ou na execução de obras emergenciais em estabelecimentos prisionais”.

Para a subprocuradora-geral da República Maria Caetana Santos, que assina a manifestação ministerial, a decisão do TJRJ está respaldada pelo adequado enquadramento dos fatos com a legislação em vigor, principalmente com os princípios constitucionais. “[O acórdão] aponta claramente os contornos fáticos da necessidade de intervenção para suprir a omissão dos entes federados de promoverem o fornecimento de consultas médicas, cirurgias, exames e insumos para tratamento de doença que acomete o cidadão hipossuficiente”, afirma.

Ainda observando o regramento do Supremo, a representante do MPF esclarece que a apreciação dos argumentos apresentados pela defesa sobre o princípio de reserva do possível, demandaria reexame de circunstâncias fáticas e probatórias, “pretensão inviável no âmbito do recurso extraordinário”. Segundo Maria Caetana, a teoria do direito defendida pelos entes federados consiste na possibilidade de limitação à atuação do Estado em efetivar direitos sociais e fundamentais, prezando pelo interesse da maioria e afastando o direito privado.

Íntegra da manifestação no RE 1.362.892

Secretaria de Comunicação Social
Procuradoria-Geral da República

STJ mantém indenização de R$ 100 mil a paciente que desenvolveu escaras durante internação

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por unanimidade, manteve a obrigação de um hospital indenizar uma paciente em R$ 50 mil por danos morais e R$ 50 mil por danos estéticos, em razão de úlceras por pressão (escaras) que ela desenvolveu por falta de movimentação no leito durante o período em que ficou internada.

Ao negar provimento

Pode ser o ato administrativo do qual é preenchido cargo público. Em recursos, a expressão dar provimento é utilizada quando há êxito no recurso da parte. ao recurso especial

Recurso interposto em causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; ou der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. interposto pelo hospital, o colegiado considerou que o valores arbitrados pelas instâncias ordinárias não foram exorbitantes ou desproporcionais aos danos suportados pela paciente.

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O hospital foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em ação indenizatória ajuizada pela paciente. Ao STJ, o hospital alegou que os valores dos danos morais e estéticos foram exorbitantes. Também sustentou que não teria responsabilidade no caso, pois não haveria culpa nem nexo causal

Vínculo que estabelece uma relação de causa e consequência entre dois fatos. entre sua conduta e as lesões.

Paciente ficou com deformações e adquiriu sarna

Relator do recurso, o ministro Raul Araújo lembrou que, de acordo com a jurisprudência do STJ, a revisão dos valores de danos morais e estéticos só é possível em hipóteses excepcionais, quando tiverem sido fixados em nível exorbitante ou insignificante, violando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.

Na avaliação do magistrado, não é possível a revisão dos valores fixados no caso em análise, uma vez que não foram “irrisórios nem desproporcionais aos danos sofridos” pela paciente, decorrentes de falha na prestação do serviço hospitalar.

O ministro destacou que, durante a internação, as escaras surgidas na paciente pioraram porque o tratamento foi iniciado tardiamente, e acabaram exigindo a realização de mais de uma cirurgia. A mulher ficou com cicatrizes e deformações, que afetaram sua vida pessoal, e ainda adquiriu sarna enquanto esteve no hospital.

“Nesse contexto, os valores de indenização não se mostram desproporcionais ou exorbitantes, não se verificando a excepcionalidade capaz de justificar a revisão pelo STJ”, afirmou o relator.

Provas demonstraram a falha do hospital

Acerca da ausência de responsabilidade alegada pela instituição hospitalar, Raul Araújo observou que o TJRJ, após analisar as provas – incluindo um laudo pericial –, reconheceu a falha na prestação do serviço, uma vez que as lesões foram causadas pela falta de movimentação da paciente no leito e de medidas preventivas.

De acordo com o ministro, a reforma do acórdão

É a decisão do órgão colegiado de um tribunal. No caso do STJ pode ser das Turmas, Seções ou da Corte Especial recorrido demandaria o reexame de fatos e provas, o que é inviável no recurso especial, como estabelecido pela Súmula 7 do STJ.

Leia o acórdão no AREsp 1.900.623.

Com informações da assessoria