Tarcísio: Brasil falhou em ajudar Venezuela a sair da ditadura

Tarcísio de Freitas critica omissão brasileira na Venezuela e defende novo governo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à crise venezuelana, afirmando que o Brasil deveria ter liderado uma transição democrática no país vizinho. Em entrevista ao Estadão, Freitas declarou que o Brasil cometeu um erro ao não intervir e, em vez disso, tratou Nicolás Maduro como “companheiro”.

Brasil deveria ter liderado a transição democrática

Segundo Tarcísio, o Brasil, como maior economia e território da América do Sul, tinha a responsabilidade de guiar a Venezuela para a democracia. “O Brasil, que é a maior economia e que responde pelo maior território da América do Sul, poderia ter ajudado a Venezuela a construir um processo de transição para uma democracia, mas o Brasil nunca fez isso, nunca cumpriu esse papel”, afirmou o governador. Ele ressaltou que, embora a operação de captura de Maduro possa ser criticada em seus métodos, “algo precisava ser feito e foi feito”. O governador defende que o Brasil adote uma postura “pragmática” e reconheça o novo governo venezuelano para auxiliar na reconstrução do país.

Esperança de um novo ciclo para a Venezuela

Tarcísio de Freitas expressou a esperança de que a deposição de Maduro encerre um “ciclo ruim” na história da Venezuela. Ele relembrou o passado próspero do país, que possuía uma das maiores rendas per capita da América Latina, e lamentou sua queda em um regime autoritário, marcado pela perda de liberdades, falência do sistema eleitoral e empobrecimento. O êxodo de aproximadamente 25% da população venezuelana, um dos maiores da história moderna, é citado como um reflexo dessa deterioração. “A gente percebe que é um país que entrou em uma rota muito ruim e que agora se reencontra com a esperança”, disse o governador.

Pragmatismo brasileiro para reconstrução da Venezuela

O governador de São Paulo acredita que a queda de Maduro abre oportunidades para a Venezuela se reerguer economicamente, com investimentos e reconstrução de infraestrutura. Ele espera que o Brasil, em vez de se isolar politicamente com sua posição contrária à operação, adote uma visão pragmática para estabelecer laços fortes com um futuro governo democrático venezuelano. “A gente espera que agora, com o restabelecimento do poder político, haja pragmatismo por parte do governo brasileiro para reconhecer o novo governo que vai se instalar, um poder legítimo, democrático”, concluiu Tarcísio. Ele também destacou que a Venezuela, com seu vasto potencial, pode se somar a outros países latino-americanos que estão aproveitando oportunidades econômicas, como a Guiana com o petróleo.


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