Ministros do STF em voos suspeitos: Toffoli, Moraes e Nunes Marques usaram jatinhos de empresários
Documentos obtidos por veículos de imprensa indicam que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques, utilizaram aeronaves particulares de empresários em diversas viagens. As informações levantam questionamentos sobre as relações entre os magistrados e o setor empresarial, especialmente considerando que alguns desses empresários e suas empresas estão sob investigação.
Toffoli e suas viagens ao resort Tayayá
No caso de Dias Toffoli, os registros apontam para pelo menos três viagens utilizando aviões de empresários com destino a Ribeirão Claro, no interior de São Paulo, onde fica o resort Tayayá, do qual o ministro se tornou sócio em 2021. Um dos voos, em 4 de julho, partiu de Brasília com destino a Marília, cidade natal de Toffoli, mas a aeronave da empresa Prime foi utilizada para levá-lo a Ribeirão Claro. A Prime teve como sócio Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, que está sob investigação da Polícia Federal.
A participação societária de Vorcaro na Prime foi vendida a um fundo gerido pela Trustee, também ligada ao Master. O próprio Toffoli vendeu parte de sua participação no Tayayá a um fundo de investimentos ligado a Daniel Vorcaro. Os fundos envolvidos na transação tinham como cotistas pessoas presas, como o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Moraes e Nunes Marques em voos financiados
Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Baci, teriam utilizado aviões da empresa Prime em pelo menos oito ocasiões entre maio e outubro de 2025. Em uma das viagens, de Brasília para São Paulo, o ministro teria se reunido com o banqueiro Daniel Vorcaro no dia seguinte, conforme mensagens obtidas pela CPI do INSS. Apesar de um piloto ter afirmado que Moraes não estava a bordo de uma das aeronaves da FSW PSE, empresa com Fabiano Zettel entre os sócios, o registro de acesso de Moraes ao terminal de aviação executiva de Brasília precede o voo.
Já Kassio Nunes Marques e sua esposa viajaram para uma festa de aniversário em Maceió em um avião particular. A viagem foi bancada por uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master, Camilla Ewerton Ramos, esposa de um desembargador colega de Nunes Marques. A advogada confirmou ao jornal O Estado de S. Paulo ser a responsável pelos custos da viagem.
Relações empresariais e investigações em curso
As revelações sobre o uso de jatinhos por ministros do STF intensificam o debate sobre a transparência e a ética nas relações entre o judiciário e o setor empresarial. A participação de empresários investigados em investigações criminais, como Daniel Vorcaro e os fundos ligados ao Banco Master, adiciona uma camada de preocupação aos fatos. A Polícia Federal acompanha de perto as conexões entre essas figuras e as transações financeiras envolvidas nas viagens.
A utilização de aeronaves particulares levanta a questão sobre a origem dos recursos e se houve alguma contrapartida ou benefício indevido. As investigações que envolvem o Banco Master e seus associados podem trazer mais luz a essas relações e aos possíveis impactos na atuação dos ministros do STF.
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