[Editado por: Marcelo Negreiros]
O programa do Ministério da Saúde que prevê o atendimento de pacientes do SUS em hospitais privados teve seu início marcado por uma cerimônia em Recife, no dia 14, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, apenas oito pacientes foram contemplados. Depois desse lançamento, não houve continuidade dos procedimentos em hospitais de operadoras privadas pelo programa Agora Tem Especialistas.
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Segundo o ministério, a expansão da iniciativa depende da adesão de mais agentes privados, mas não há previsão de quando esse tipo de atendimento se tornará frequente para os usuários do SUS. O programa busca criar uma marca para o terceiro mandato de Lula na área da saúde, com previsão de converter R$ 1,3 bilhão em dívidas de operadoras por serviços prestados anualmente.
Objetivos e primeiros passos do programa
Entre as ações previstas, o programa pretende diminuir o tempo de espera por consultas especializadas na rede pública. Para isso, as operadoras poderão trocar as dívidas de ressarcimento ao SUS por serviços médicos, atendendo pacientes do sistema público em suas próprias unidades.
Na estreia, os oito pacientes realizaram diferentes procedimentos no hospital Ariano Suassuna, da Hapvida, incluindo cirurgias de quadril e vesícula, além de exames de imagem. O presidente também visitou alguns desses pacientes durante o evento inaugural.
O Ministério da Saúde destacou que a adesão da Hapvida ao programa seguiu as regras do Agora Tem Especialistas, que exigem a realização de ao menos R$ 100 mil em procedimentos para a rede pública. No entanto, até o momento, nenhuma confirmação oficial de novas operadoras participantes foi publicada, informou o jornal Folha de S.Paulo.
No final de julho, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a oferta de consultas, exames e cirurgias pela rede privada começaria no fim de agosto. Contudo, um comunicado posterior do ministério alterou a previsão para setembro.
Desafios e perspectivas de expansão
Autoridades do SUS consideraram precipitado o anúncio, pois a efetivação das parcerias depende da decisão dos planos de saúde e ainda existem etapas burocráticas em andamento. Quatro gestores que acompanham as discussões alertaram para a necessidade de análise criteriosa das propostas.
O edital para credenciamento dos planos de saúde foi apresentado em 11 de agosto, três dias antes do evento em Recife. Apesar disso, o governo ainda não publicou a confirmação da adesão de outras operadoras, embora informe que a Hapvida já esteja credenciada.
Questionado, o ministério não detalhou quais operadoras manifestaram interesse em participar do programa nem o volume de procedimentos que pretendem ofertar. A Hapvida afirmou em nota ser a primeira a aderir e disse reunir todas as condições para apoiar a iniciativa.
“A adesão foi realizada por fases e iniciada em Recife, no Hospital Ariano Suassuna, que é maior unidade própria da rede no Norte/Nordeste e recém-inaugurada, e será expandida à medida que o programa for ganhando tração”, explicou a empresa. “Esse modelo permite que a companhia disponibilize infraestrutura e especialistas de acordo com as necessidades locais, garantindo eficiência e capilaridade.”
Parcerias com o SUS e expectativas do setor
Além dos planos privados, o programa Agora Tem Especialistas prevê parcerias com hospitais e clínicas dispostos a trocar dívidas federais com o SUS por serviços médicos. O Ministério da Saúde informou que analisa propostas de 130 estabelecimentos, sem contabilizar os serviços das operadoras.
A pasta também planeja levar atendimentos a regiões remotas com carretas móveis, aumentar o número de especialistas e aprimorar a integração de dados na rede pública.
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[Oeste]
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