Trump obriga CBS a mudar regas depois de acordo bilionário

[Editado por: Marcelo Negreiros]

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, forçou a Paramount Global e a CBS News a aceitar com um dos acordos judiciais mais caros já enfrentados por uma emissora norte-americana. A emissora Fox News divulgou as informações neste sábado, 12.

Em troca do fim de um processo bilionário, Trump receberá mais de US$ 30 milhões, além de impor mudanças editoriais na rede. A disputa teve origem na edição de uma entrevista com Kamala Harris, exibida no programa “60 Minutes”, durante a campanha presidencial de 2024.

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Trump acusou a emissora de manipular deliberadamente a entrevista para favorecer a então vice-presidente. Segundo ele, a CBS cortou trechos importantes da resposta de Kamala Harris sobre a relação com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu.

O resultado foi uma versão “mais polida” e conveniente para a candidata democrata, algo que a emissora, inicialmente, negou. Depois de levar o caso à Justiça, Trump pediu US$ 10 bilhões em indenização por interferência eleitoral.

O valor foi posteriormente dobrado para US$ 20 bilhões. Durante as negociações, recusou uma oferta de US$ 15 milhões e exigiu um pedido público de desculpas da CBS News.

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Seus advogados acusaram a emissora de “conduta enganosa, maliciosa e substancial”, com o objetivo de influenciar o voto popular. A equipe jurídica da Paramount tentou conter os danos.

A principal acionista, Shari Redstone, pressionou pelo fim do litígio, temendo que o escândalo comprometesse a fusão multibilionária com a Skydance Media, uma operação dependente da aprovação da Comissão Federal de Comunicações (FCC), agora sob o comando do próprio Trump.

Trump impõe nova política editorial à CBS e leva parte do espaço da emissora

Como parte do acordo, Trump recebeu US$ 16 milhões antecipados. O restante será destinado a despesas legais, doações futuras e projetos como a biblioteca presidencial.

A CBS ainda se comprometeu a reservar espaço de transmissão, em valor de oito dígitos, para anúncios e conteúdos ligados a causas conservadoras. Mais importante: a rede implementou uma nova política editorial.

Portanto, a partir de agora, entrevistas com candidatos à presidência devem ser publicadas com transcrições completas e sem cortes. A medida ficou conhecida internamente como “Regra Trump”. A concessão da CBS gerou indignação entre seus principais nomes.

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Apresentadores como Jon Stewart, Stephen Colbert e correspondentes do próprio “60 Minutes” expressaram abertamente o constrangimento. Nos bastidores, o sentimento dominante foi o de traição por parte dos executivos da Paramount.

Durante uma entrevista recente, Steve Kroft, veterano do programa, afirmou que a empresa se rendeu a uma “extorsão”. Pouco antes da conclusão do acordo, o produtor executivo Bill Owens renunciou ao cargo e declarou não ver mais condições de comandar a atração.

FCC confirma edição seletiva

Depois da posse de Trump, a FCC divulgou a transcrição integral da entrevista de Harris, comprovando que a CBS dividiu a resposta da ex-vice-presidente. A primeira parte foi ao ar no “Face the Nation” no domingo, e a segunda, no “60 Minutes” na noite seguinte.

O Centro para os Direitos Americanos apresentou uma queixa formal, classificando o episódio como “violação do interesse público” por distorção deliberada de conteúdo jornalístico.

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A CBS argumentou que exibiu trechos diferentes da mesma resposta. Contudo, não conseguiu justificar por que omitiu partes relevantes na versão de horário nobre.

[Oeste]

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