A novilíngua do terror

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Faço uma breve pausa para compartilhar uma rápida digressão, escrita na madrugada deste sábado (08).

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O debate sobre como classificar as ações praticadas pelas facções criminosas no Brasil expõe algo preocupante: o país já não está sendo governado com base no mundo dos fatos, mas das narrativas. E o modo como o conceito de “terrorismo” tem sido encarado por autoridades brasileiras é a maior prova disso.

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Segundo integrantes do Governo Federal, há um risco para a soberania nacional em classificar as facções criminosas como terroristas, pois, se isso ocorrer, o país poderia ficar exposto a possíveis ações estrangeiras.

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O argumento é válido e, do ponto de vista teórico, merece total atenção no debate do projeto em discussão no Congresso Nacional. Mas, voltando ao mundo real, não faz muito tempo que o conceito de terrorismo foi aplicado aqui no Brasil, sem essa preocupação.

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Políticos ligados ao governo utilizaram amplamente esse termo para se referir aos invasores do fatídico 8 de janeiro de 2023. Foram meses a fio em que autoridades brasileiras declaravam para o mundo que, no Brasil, havia terroristas em ação, prontos para derrubar a democracia.

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Antes mesmo de qualquer condenação, na época, e de forma indistinta, todos os manifestantes da arruaça desordenada - ou tentativa de golpe segundo o STF -, foram chamados de “terroristas”.

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Pergunto: não havia, até então, preocupação com a tal intervenção estrangeira na soberania nacional? Ou vamos admitir que aquela classificação aos vândalos foi uma narrativa de ocasião?

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Ao contrário daqueles vândalos, muitos dos quais já pagam pesadamente na cadeia, as facções criminosas seguem aterrorizando, de fato, o país e, particularmente, a Paraíba, dominando territórios e ameaçando a democracia.

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Comunidades inteiras sitiadas pelo crime, inocentes mortos, relatos de coação e tortura contra quem não acata a filosofia da bandidagem. Até as eleições estão ameaçadas pelo poder do tráfico de drogas. É ou não é terrorismo em solo nacional? É ou não uma guerra diária que já vivenciamos aqui?

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Este não é o mundo, certamente, de quem vive isolado dentro de gabinetes, protegido em condomínios ou no luxo de seus apartamentos seguros. Mas é a realidade da maioria. Basta colocar o pé numa comunidade para encontrar quem tem o “lugar de fala”.

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É verdade que, no Brasil, o tema é regulado pela Lei Antiterrorismo de 2016, que apresenta condicionantes específicas.

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Mas essa legislação define o terrorismo a partir da finalidade de “provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”. É mais do que necessário atualizar a tipificação.

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Segundo a ONU, terrorismo são “atos criminosos pretendidos ou calculados para provocar um estado de terror no público em geral, num grupo de pessoas ou em particulares por motivos políticos”, conforme a Resolução 49/60 da Assembleia Geral (1994). E já está mais do que provada, segundo investigações da Polícia Federal, a participação desses criminosos na política brasileira, seja via eleições, seja por infiltração nos três poderes ou de forma violenta, com atentados contra autoridades.

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Por que, então, não enquadrar as facções como organizações terroristas? Por que vândalos são assim chamados e bandidos faccionados não o são?

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Verdadeiramente, com todas as vênias aos argumentos em contrário, e reconhecendo a sensibilidade do debate: infelizmente, o conceito de “terrorismo” já não é o que importa nessa discussão política.

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Enquanto a população sofre na mão do crime, “terrorismo” virou mais um verbete da novilíngua brasileira. Terrorismo é o que alguns engravatados querem que seja. Não o que ele realmente representa para cada um de nós.

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Por fim, uma publicação feita pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), neste sábado, ao tratar o projeto em tramitação com a urgência que ele merece, acende uma luz de esperança: "Vou conduzir as discussões com respeito ao regimento, mas com a firmeza de quem conhece a urgência das ruas".

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[Jornal da Paraiba]Jornal da Paraíba

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