A receita dos europeus medievais para tratar doenças: comer múmias

Leia mais

Em uma farmácia de Paris do século 17, frascos escuros ficavam à mostra nas prateleiras, cada um contendo um pó marrom-avermelhado. O aroma não denunciava sua origem. O pó era rotulado como cura para dores de cabeça, estômago e coração. O paciente, confiando no médico, tomava aquele remédio que vinha diretamente de um túmulo egípcio.

Leia mais

Durante séculos, a Europa consumiu o Egito. Túmulos foram violados, corpos milenares viajaram pelos mares, e as múmias tornaram-se mercadoria. Disseminou-se a ideia de que comer os restos mortais egípcios era a cura para todos os males do corpo.

Leia mais

A história dessa “medicina de cadáver” começa no século 16. Segundo o historiador Karl Dannenfelt, ela começa com uma série de erros de tradução. No centro de tudo estava a palavra “mumia”. Na Pérsia, mumia era o nome de uma substância negra e pegajosa que escorria de rochas, usada na medicina islâmica e considerada eficaz.

Leia mais

Quando textos árabes foram traduzidos para o latim, tradutores europeus confundiram mumia com secreções de corpos preservados no Egito Antigo. A coincidência linguística com “mummy” — e o fato de algumas múmias terem sido embalsamadas com betume — consolidou a associação.

Leia mais

Essa falha de tradução plantou uma crença que floresceu em rituais médicos de gosto duvidosos: fascinados pelo Egito, europeus não hesitaram em transformar mortos milenares em medicamentos.

Leia mais

“Para a elite real e social, comer múmias parecia um remédio apropriado para a realeza, já que os médicos afirmavam que a múmia era feita por faraós”, explica Marcus Harmes, professor na Universidade do Sul de Queensland, para o The Conversation. “A realeza comia a realeza”.

Leia mais

A crença não era isolada. Durante a Idade Média, o corpo humano era visto como depósito de forças vitais capazes de curar outros corpos. Gladiadores mortos davam sangue contra epilepsia; a gordura humana servia de bálsamo. Carlos II da Inglaterra tomava, dizem, um elixir feito com crânio pulverizado. Nada disso, como é de se imaginar, funcionava contra doença alguma.

Leia mais

Com a múmia, veio a febre em busca da panaceia. Túmulos foram violados, múmias arrancadas de seus sarcófagos e transportadas por mares e desertos. Quando o Egito não bastou, surgiu o comércio de “múmias falsas”: cadáveres frescos, de criminosos executados ou pessoas escravizadas. Eles eram tratados com sal e drogas, secos em fornos e transformados em pó vendido nas farmácias.

Leia mais

O século 19 trouxe um fascínio diferente: a egiptomania. Na Era Vitoriana, a egiptomania levou a “festas de desenfaixamento” de múmias em auditórios, hospitais e até casas particulares. 

Leia mais

Apesar das restrições à exportação de antiguidades, múmias continuaram a atravessar fronteiras. Só no fim do século 19 que o consumo de múmia desapareceu. “A inevitável destruição de vestígios arqueológicos parecia lamentável”, sugere Harmes.

Leia mais

Além disso, o professor diz que a descoberta da tumba de Tutancâmon desbloqueou um outro tipo de misticismo sobre as múmias egípcias. “A morte repentina de Lord Carnarvon, patrocinador da expedição de Tutancâmon em 1923, foi de causas naturais, mas logo foi atribuída a uma nova superstição – ‘a maldição da múmia’”, escreve.

Leia mais

AS MAIS LIDAS DA SEMANA

Leia mais

Toda sexta, uma seleção das reportagens que mais bombaram no site da Super ao longo da semana. Inscreva-se aqui para receber a nossa newsletter

Leia mais

Cadastro efetuado com sucesso!

Você receberá nossas newsletters pela manhã de segunda a sexta-feira.

Leia mais

[Por: Superinteressante]Source link

Leia mais

Gostou deste story?

Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!

Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!

MNegreiros.com