‘Abin paralela ‘, espionagem contra rivais de Bolsonaro: as acusações da PGR ao general Heleno

[Editada por: Marcelo Negreiros]

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Em 517 páginas, a Procuradoria-Geral da República apresentou alegações finais e pediu a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, de seus ex-ministros e de comandantes militares. Para a PGR, o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, auxiliou Bolsonaro nas campanhas de ataque às instituições e autorizou a infiltração ilegal de agente da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) na campanha de candidatos adversários.

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Para o procurador-geral Paulo Gonet Branco, “Augusto Heleno preparou a narrativa difundida pelo então Presidente da República em diversos pronunciamentos públicos e anuiu com espionagens ilegais, baseadas em interesses particulares de Jair Bolsonaro, em flagrante desvio da estrutura brasileira de inteligência”.

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Gonet afirma que, ao longo do governo Bolsonaro, Heleno utilizava seu cargo para promover um acirramento entre os Poderes. A manifestação cita uma live do ex-presidente, mencionando a presença do general Heleno, e incita publicamente as Forças Armadas.

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A PGR faz menção à fala do ex-ministro do GSI, em dezembro de 2022, em que confirmou seu papel como ‘consultor’ do então presidente Bolsonaro e criticou ordens judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF). “Mais do que simples abstrações, comprovou-se que Augusto Heleno efetivamente direcionou o aparato estatal em torno de suas concepções antidemocráticas.”

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Além das declarações, a acusação considerou alguns documentos do militar que foram apreendidos pelos investigadores. Entre eles, notas e relatórios que apontavam uma hipotética fraude no sistema de votação e previam a “prisão em flagrante” de quem se dispusesse a cumprir decisões judiciais contrárias ao plano golpista.

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Segundo Gonet, o general sabia que as eleições foram auditadas e “agiu de má-fé na perpetuação de narrativas já suficientemente desautorizadas”.

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ABIN PARALELA

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O parecer destaca que Augusto Heleno tinha “plena ciência” da suposta “Abin Paralela”, apontada como célula de contrainteligência da articulação golpista. O grupo é acusado de interferir em investigações sensíveis que envolviam os filhos do ex-presidente, monitorar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e angariar informações de opositores do governo para “atacá-los, especialmente no meio digital, no curso das iniciativas corrosivas das estruturas democráticas”.

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Supostamente, o grupo era formado por policiais federais cedidos à Abin, militares e oficiais de inteligência, liderados pelo então diretor-geral da agência, Alexandre Ramagem — atualmente deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro. “O núcleo atuava como verdadeira central de contrainteligência da organização criminosa que, por meio dos recursos e ferramentas de pesquisa da ABIN, produzia desinformação contra seus opositores”, pontua.

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O procurador afirma que ficou comprovado, a partir dos documentos apreendidos, que Augusto Heleno tinha plena ciência da configuração da “Abin Paralela” e acompanhava suas atividades de contrainteligência.

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Com base em uma reunião ministerial pouco tempo antes da eleição, a PGR destaca uma fala do ex-ministro em que ele menciona uma infiltração de agentes da Abin que poderia ser objeto de “vazamento”. Na ocasião, Heleno foi interrompido por Bolsonaro, que disse: “Ô General, eu peço que o senhor não... eu peço que o senhor não fale, por favor. Não, não prossiga mais na teu... na tua observação aqui.”

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Para a PGR, “a fala proferida na reunião é explícita ao mencionar a ‘infiltração’ de agentes da ABIN, que não poderia ser objeto de ‘vazamento’, justamente por se tratar de medida manifestamente ilegal. Não é por outro motivo que o então Presidente da República interrompeu abruptamente a fala do General”.

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O procurador também pontuou alguns trechos do depoimento de Augusto Heleno, em que afirmou “não haver clima”, em referência a uma possível discussão sobre medidas antidemocráticas. Segundo a PGR, o comentário demonstrou seu “intento pessoal antidemocrático”.

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Gonet imputa ao ex-ministro do GSI os mesmos cinco crimes atribuídos a Bolsonaro e a outros réus do denominado ‘núcleo crucial’ da trama golpista - tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, cujas penas máximas, somadas, podem chegar a 43 anos de reclusão.

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DEFESA DO GENERAL HELENO

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Ao comparecer ao depoimento perante à 1ª Turma do STF, o general decidiu responder apenas às perguntas da sua defesa. Na ocasião, ele alegou que “aceitou” a derrota de Bolsonaro em 2022: “Tinha que aceitar. Não havia outra solução.”

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O general alegou também que a agenda apreendida em sua casa, com anotações sobre fraudes na eleição, era um “documento particular”.

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[Por: Estadão Conteúdo]Source link

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