Imagens de satélite recentes revelaram uma preocupante alteração na coloração das águas do Açude Velho, em Campina Grande, Paraíba. Essas mudanças ocorreram antes da descoberta de **toneladas de peixes mortos** no reservatório, levantando sérias questões sobre a qualidade da água e as causas do desastre ambiental.
O estudo, conduzido pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lápis), vinculado à Universidade Federal de Alagoas e coordenado pelo professor Humberto Barbosa, foi entregue ao Ministério Público da Paraíba (MPPB). As imagens capturadas entre novembro de 2025 e janeiro de 2026 indicam uma **dispersão de esgoto** e uma subsequente **"explosão de algas"**, fatores que, segundo a análise, retiraram o oxigênio essencial para a vida dos peixes.
O professor Humberto Barbosa explicou que a mudança de coloração observada nas imagens é um sinal claro da entrada e disseminação de poluentes no açude. "Essa mudança de coloração, entre novembro do ano passado e janeiro deste ano, indicam um sinal de sujeira entrando e se espalhando no reservatório, principalmente esgoto e, alguns momentos, uma a ‘explosão’ de algas por causa dessa contaminação, o que contribuiu para a falta de oxigenação da água para os peixes", afirmou.
Embora o processo de eutrofização, caracterizado pelo aumento descontrolado de algas que consomem oxigênio, seja um fator, o estudo sugere que o **despejo irregular de esgoto** e um aumento incomum do volume de água no período foram determinantes. As imagens mostram, em novembro, um aspecto esbranquiçado devido à dispersão de poluentes, e em dezembro, uma tonalidade esverdeada indicativa do excesso de fitoplâncton.
Um dado intrigante revelado pelo estudo é o **aumento do volume de água no Açude Velho** entre dezembro e janeiro, sem a ocorrência de chuvas significativas. O professor Humberto Barbosa levanta a hipótese de que esse aumento, além do esgoto, pode ter sido influenciado por algum material desconhecido. "O volume que é registrado, entre a segunda semana de dezembro, começa a aumentar. Depois de ele ter chegado muito próximo do valor crítico, mas não foi o menor valor já registrado na história (do açude), mas foi muito próximo. Então, na segunda semana de dezembro, ele começa a aumentar e continua aumentando o volume", disse o pesquisador.
Em contrapartida, a Prefeitura de Campina Grande emitiu uma nota técnica atribuindo o episódio a um fenômeno natural, a "Circulação Vertical Turbulenta da Coluna d’Água", intensificado por condições climáticas. No entanto, a investigação do MPPB continua, buscando esclarecer todas as causas da mortandade. Paralelamente, a prefeitura anunciou planos de revitalização para o Açude Velho, incluindo a construção de uma estação de tratamento de esgoto e o desassoreamento do local, um investimento estimado em mais de R$ 30 milhões.
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